02/04/2015

PROVA DE MOTONÁUTICA NO RIO TEJO FOI ADIADA GRAÇAS A ACÇÃO DE CIDADANIA CONTRA A MORTANDADE DE AVES EM PERÍODO DE NIDIFICAÇÃO

JOSÉ FREITAS, amigo da Natureza, fotógrafo que muito tem contribuído para o conhecimento e valorização do rio Tejo, deu  o alerta no facebook. Publicou uma foto, significativa, que se reproduz abaixo,



e, e em resumo disse:


É aqui, junto a este mouchão em que nidificam quase todas as espécies de garças existentes em Portugal e o único sítio de Portugal onde nidifica a Íbis negra, que se irão realizar provas do campeonato nacional de motonáutica a 20 e 21 de Junho, em plena época de nidificação.
O Município de Salvaterra de Magos apoia a prova. Incompreensivelmente o mesmo Município que ignora a existência da ilha ou que não faz nada para a proteger. Apoia com o argumento básico de que os visitantes vão consumir e deixar dinheiro no concelho.
A lei proíbe e pune a perturbação de ninhos de espécies protegidas. É o caso. Estamos portanto perante uma ilegalidade evidente.
O mais caricato é que o concelho lucraria muito mais se promovessem a importância ecológica do Escaroupim, não durante dois dias assassinos para as aves, mas durante todo o ano, para os amantes da fotografia e observação de aves.


Em consequência, publicada a foto e desencadeada uma onda de denúncia e de exigência de adiamento da prova, ao fim de alguns dias a SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a prova foi adiada, sendo transferida para data em que os prejuízos para as aves, tão claramente invocados, já não se verificam.

Em nosso entender, é de saudar o acontecimento, que é uma vitória da cidadania activa - foi adiada a prova de motonáutica  - graças à denúncia e mobilização pública que a questão congregou. Graças a José Freitas e a todos os que tomaram também o assunto em mãos, mobilizando-se através do facebook e não só. 

Conclusões, que podemos enunciar, pela nossa parte: 
  1. O alerta feito em tempo oportuno pelo Jose Freitas e o modo como aconteceu e evoluiu foi determinante; 
  2. Houve uma correspondência muito activa e consequente a esse alerta, que é de saudar; 
  3. Só houve esta marcha atrás devido ao facto de ter havido denúncia, mobilização e se ter admitido que, se não fossem tomadas medidas, a acção não parava; 
  4. É bem evidente que uma das entidades que devia ter sido ouvida - a SPEA - só o foi depois, face ao desencadeamento da acção de cidadania; 
  5. Se a Câmara Municipal de Salvaterra e a organização da prova tivessem em conta as consequências para as aves, nesta fase de nidificação, então a 1ª organização a ser ouvida era a SPEA; 
  6. A Câmara Municipal de Salvaterra não tem conhecimento desses pormenores (fundamentais) de que as aves referidas nidificam nesta altura e, se tem, não pensou primeiro nisso, mas em autorizar a realização da prova.
Atenção: é muito provável que, mais uma vez, venha ao de cima, aquela lamentação de que "os ecologistas são uns empatas". Porém, a verdade é que houve muito mais do que isso. Houve mobilização de cidadania contra algo impensável e que, por isso, a própria SPEA - Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves, mais não fez do que o óbvio. Não o fazer era colaborar com quem não queria proteger a Natureza, antes pelo contrário.

O mouchão onde nidificam quase todas as espécies de garças existentes em Portugal e o único sítio de Portugal onde nidifica a Íbis negra merece de nós, mais, exige de nós, toda a protecção. 
Este triste episódio, que só não teve graves consequências devido à denúncia e mobilização de cidadania que se conseguiu, deve ser um ponto de partida para que não esqueçamos isso, para que exijamos uma mudança radical nas práticas agressivas contra a natureza naquele local. O Movimento Ecologista do Vale de Santarém, organização que se inclui na bacia hidrográfica do rio Tejo, trabalhará com outros nesse sentido. 
 

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de

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