26/01/2018

Do nosso programa para 2018: O rio Maior, afluente do Tejo. Da poluição ao desperdício de um curso de água de grande importância na região da Lezíria

Desde a nossa fundação, em 2013, dedicamos atenção ao rio Maior que, a partir do reinado de D. José I, teve o seu traçado alterado: o seu percurso foi transformado em canal em dado ponto, recebendo o rio, a partir daí, a designação de Vala Real de Azambuja, localidade próxima da qual desagua, no Tejo.

Temo-nos centrado principalmente na poluição que chega ao rio, através das ribeiras, mas também de forma directa, por parte de indústrias e suinicultoras, além de esgotos urbanos.


A poluição que, na época da colheita e transformação do tomate, entra no rio em S. João da Ribeira, assim como a que provém de diversas suinicultoras, ao longo do seu percurso, é o grande problema.


Tem havido denúncias, pelas associações ecologistas das margens do rio e por muitos outros cidadãos, mas as autoridades sempre dão a resposta de que "nada de anormal se constatou", ou semelhante. 

Em Março de 2017, dando nota de que a poluição estava já a chegar a níveis maiores de preocupação, a Câmara Municipal de Santarém, em conjunto com as outras três, das margens do rio  (Rio Maior, Cartaxo e Azambuja) realizou um seminário sobre a "Actividade Pecuária", onde estiveram técnicos, empresários da pecuária e seus representantes e, ainda, as associações ecologistas da zona, como nós.

Concluiu-se que a poluição tinha de ser travada, por modificações significativas nas explorações, pois o rio e suas ribeiras não poderiam continuar sujeitas aos níveis de poluição constatados. 


Em consequência, as pecuárias teriam de tomar as medidas necessárias, falando-se, inclusive, em meios, nomeadamente financeiros - apoios estruturais - para esse fim. A evolução que possa ter havido não é conhecida - pelo menos, não foi nada divulgado.


Continuámos em 2017 a fazer observações no rio, como a Ponte de Asseca, a ETAR do Vale e suinicultoras, além da ponte do Ferreira que, há uns anos, começou a entrar em ruína, e agora está impraticável. 

Tirando a ETAR do Vale de Santarém, que continua a funcionar muito bem, nenhuma alteração se deu na qualidade da água do rio Maior, assim como da que vem da ribeira da zona do Peso, que desagua no rio Maior, na Ponte de Asseca, onde muitas vezes é de mau cheiro e acumula espuma naquela zona. 

Este panorama fica ainda mais agravado quando, de Julho a Setembro, o que sai da fábrica do tomate, de cor vermelha, se transforma em água negra e putrefacta, ao longo do curso do rio, inclusive matando peixes. 

Água poluída no rio Maior, na Ponte de Asseca. 24 Abril 2017.

Água poluída, da ribeira do Peso, na Ponte de Asseca. 24 Abril 2017.
A ponte do Ferreira, no rio Maior-Vala Real de Azambuja, entre
Vale de Santarém e Santana-Cartaxo, que está destruída.

A possibilidade de praticar pesca no rio Maior/vala reduz-se aos períodos pós-cheias, no inverno, e talvez até fins de Abril, por ser maior o caudal e se diluírem um pouco os materiais poluentes.

É uma perda, há muitos anos, de muitos pontos de vista: da Natureza, da prática da pesca, dos concursos de pesca, do lazer, do convívio, da valorização das margens, para as populações ribeirinhas e outros interessados – as regas, com aquela água, não deixarão de ser problemáticas, mas os seareiros não têm outra e precisam de água, para as suas culturas.


Além disso, com a poluição, ficaram de lado outras possibilidades de exploração desse potencial da vala: canoagem, passeios de barco, outras modalidades no rio. Ora, isto que se perdeu, que agora é uma miragem, não pode continuar a ser ignorado. 


Há ainda mantos de jacintos que tapam a água em muitos quilómetros, contribuindo para a eutrofização, e isso é a morte de um curso de água. 

O rio Maior, coberto de jacintos - 24 Abril 2017, zona da Ponte do Ferreira

Não podemos esquecer também que nos combros cresceu imensa vegetação, que impede a passagem em grande parte do percurso, e a possibilidade de usar os combros para certas actividades, como caminhadas, BTT e outras – no futuro, como ecovia, que temos defendido – está cada vez mais posta em causa.

Quanto à ECOVIA, que começámos a propor em 2015, com outras organizações das margens do rio Maior, como já várias vezes referimos, neste nosso blog, trata-se tão só de aproveitar, no traçado desde a nascente do rio, até à sua foz, em Azambuja, as condições que existem, muito propícias, do troço do antigo ramal de Rio Maior, que vai até ao Vale de Santarém, flectindo para os combros da vala, que existem praticamente até Azambuja.


As associações ambientalistas e outras organizações estão conscientes de que será uma mais-valia para a região, do ponto de vista ambiental, na defesa da despoluição do rio e sua manutenção em condições de saúde pública, além das melhores condições para uma utilização adequada em termos agrícolas, económicos e de enorme espaço de lazer e de realizações de natureza. Foi o que deixámos explícito nas nossas publicações, aqui no blog, desde 2015, e cujos links estão aqui:

Iremos fazer este ano a observação rigorosa do rio, na nossa zona, contribuindo para identificar os seus males, para que os possamos comunicar e exigir medidas.

Temos em mente que, durante este ano, algumas das nossas caminhadas sejam nas margens do rio, proporcionando assim um renovado contacto dos praticantes com este importante afluente do Tejo.

A Coordenação,

Alfredo Lobato, Carlos Jorge Calheiros, Carlos Vieira, Francisco Ferreira, Manuel Sá, Pedro Adriano, 
Virgílio Pereira.






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