06/08/2015

RIO TEJO - UM RIO ALTAMENTE POLUÍDO

O rio Tejo é hoje um esgoto. Através dos seus afluentes ou directamente, chegam ao grande rio ibérico enormes cargas poluentes, em Portugal e também em Espanha, fazendo prever que, nada sendo feito, a sua morte está próxima.
Unidades industriais, suiniculturas, agricultura e esgotos urbanos estão a dar cabo do rio. A trágica diminuição dos caudais, sobretudo em Portugal, devido aos transvases não controlados, além da diminuição da pluviosidade e da gestão das barragens, que só interessa aos privados que as detêm, acentuam ainda mais o panorama de calamidade que, nos últimos meses, se tornou evidente.
Na zona de Vila Velha de Ródão as fábricas destroem o rio e matam peixes. Mais abaixo, há afluentes que são esgotos a céu aberto, nisso se destacando o Almonda e o Maior. Poluídos há dezenas de anos, foi mais recentemente que, através das redes sociais e na comunicação social, surgiram abundantes fotos e denúncias.
Pela nossa parte, mantendo uma atenção regular sobre o rio Maior, cuja poluição atinge agora o pico, com a entrada em funcionamento da fábrica de tomate de S. Jão da Ribeira, encontrámos muito recentemente focos gravíssimos de poluição, lançada no rio por suinicultoras, que em breve divulgamos.
Em face destes acontecimentos, e dada a falta de resposta do governo, das autarquias, das autoridades do sector e das polícias (apesar dos discursos de todos eles, em sentido contrário) tomámos algumas iniciativas, uma das quais foi o requerimento de uma reunião do proTejo - Movimento pelo Tejo, organização à qual pertencemos. A reunião foi há dias, em Vila Nova da Barquinha. O comunicado que saiu da reunião foi o seguinte: 

AGIR EM DEFESA DO TEJO
O proTEJO – Movimento Pelo Tejo realizou, no passado dia 2 de Agosto, a sua Assembleia Geral onde estiveram representados a QUERCUS, a Ecocartaxo, o Movimento Ecologista do Vale de Santarém, o Movimento Cívico Ar Puro, o Observatório Ambiental do rio Tejo, a Câmara Municipal de Abrantes e cidadãos em nome individual.

Os presentes analisaram a grave situação de poluição que ocorre há largos anos na bacia hidrográfica do Tejo, com particular intensificação nos meses mais recentes, sobretudo a partir de Maio 2015, ainda mais evidente pelo acentuar da escassez de caudais.
Esta poluição, em território nacional, provém da agricultura, indústria, suinicultura, águas residuais urbanas e outras descargas de efluentes não tratados, com total desrespeito pelas leis em vigor, e sem a competente ação de vigilância e controlo pelas autoridades responsáveis, valendo a ação de denúncia das organizações ecologistas e dos cidadãos, por diversas formas, nomeadamente, através da comunicação social.
No entanto, não estão em causa as atividades realizadas por empresas e outras organizações na bacia hidrográfica do Tejo, o que se saúda e deseja, porém tal deve ocorrer com as práticas adequadas à salvaguarda do bem comum que o rio Tejo e seus afluentes constituem para os seus ecossistemas aquáticos e para as populações ribeirinhas.
Os trabalhos desta reunião resultaram nas seguintes decisões:
1º Preparar as alegações ao Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo até 12 de Outubro de 2015 tendo em vista propor medidas que contribuam para a resolução dos problemas ambientais do Tejo;
2º Mostrar indignação ao Governo e à Agência Portuguesa do Ambiente pela sistematicamente tardia e ineficaz resposta e pela escassez de meios de fiscalização face aos recorrentes episódios de gravosa poluição e escassez de caudais que têm vindo a assolar a bacia do Tejo;
3º Criar, através dos cidadãos, uma rede de vigilância dos fenómenos de poluição e da falta de caudais tendo em vista que os infratores sejam denunciados às entidades responsáveis pela fiscalização ambiental e consequentemente penalizados e sancionados;
4º Saudar os cidadãos da bacia hidrográfica do Tejo manifestando a solidariedade perante as situações graves de poluição e escassez de caudais que têm vivido, devido a ações irresponsáveis e ilegais, e que provocam a diminuição da riqueza natural desta vasta região, com repercussões de natureza económica e turística, presente e futura, e a deterioração da qualidade de vida e saúde das populações.

Na zona do Vale de Santarém vamos continuar a actuar, de acordo com estas decisões. Temos situações muito graves na área da nossa vila, reclamando acção regular de controlo e denúncia, sobre as quais daremos notícia em breve.


A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.

2 comentários:

  1. Não ponho minimamente em dúvida as informações aqui prestadas, mas parece existir alguma contradição com o reaparecimento de algumas espécies aquáticas há muito desaparecidas do rio na zona de Lisboa.
    Corvinas, chocos, ostras, amêijoa voltaram a ser espécies vulgares no estuário do Tejo.
    Porventura em consequência desta situação, são cada vez mais frequentes as visualizações de golfinhos em frente a Lisboa.
    Tudo isto se deve ao facto, presumo eu que não sou especialista na matéria, de ter deixado de ser lançado ao rio qualquer pinga de esgoto de Lisboa que não tenha sofrido o respectivo tratamento em ETAR monitorizada. Também o rio Trancão, grande poluidor do estuário, sofreu uma metamorfose muito positiva desde a inauguração da Expo 98.
    As autarquias de Lisboa e de Loures estão pois de parabéns e o seu exemplo deveria ser seguido por muitos outros municípios da borda d´água.
    José Luis Cruz

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    1. É verdade, José Luis Cruz. Mais próximo de Lisboa tem-se verificado o que diz. No entanto, nas zonas que têm sido agora mais referenciadas, ou seja, desde Vila Velha de Ródão para jusante, a situação é muito grave. Não só naquela zona e na de Abrantes, como também nos afluentes Almonda e Maior e em diversas ribeiras que vão dar a estes. Todos se queixam: populações ribeirinhas, pescadores, ecologistas, empresários do turismo fluvial. Com mais fábricas, mais suiniculturas, com fábricas de tomate a não usarem ETAR e até efluentes urbanos a seguirem para os rios sem tratamento adequado (caso da ETAR de Santarém, como temos mostrado em fotos e vídeos, da zona de Ponte de Asseca) tudo indica que a situação vai permanecer e agravar-se, tanto mais que, com caudais mais reduzidos e menor capacidade de regeneração, os efeitos negativos são mais profundos e duradouros, se nada for feito, que é o que está a acontecer. É, sobretudo, uma questão de vontade política, que há muito se sabe o que e como fazer. Mas os governantes, os autarcas em geral, as entidades técnicas e de controlo e vigilância... assistem. Porque querem. Há algumas excepções? Há. Confirmam a regra.

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