11/06/2014

DESCIDA DO RIO MAIOR-VALA DE AZAMBUJA POR MEMBROS DO MOVIMENTO ECOLOGISTA DO VALE DE SANTARÉM

No âmbito das nossas actividades para o 1º semestre de 2014 constava a descida do rio, entre a ponte do Vale e a ponte de Santana (Cartaxo). Foi no dia 29 de Março que, com muito sol e bom tempo, lá fomos, para a descida. Com que objectivos? Ver o rio de dentro, navegar no seu leito num troço preciso, identificado, e observar o que nele se passa. E assim foi. Três membros do Movimento Ecologista do Vale de Santarém, de barco a remos -  o motor recusou-se a colaborar à última hora - cumpriram a tarefa, numa manhã cheia de sol, no silêncio do rio, aqui e ali quebrado pelo cantar dos rouxinóis, melros e outra passarada, enquanto alguns guarda-rios e galinholas se ficavam por breves aparecimentos e as cegonhas e abibes voavam alto, em redor. E o que vimos?

A situação de mau cheiro que encontrámos foi bem perto da ponte do Vale. Cheiro a dejectos humanos ou de porco. Ao longo de todo o percurso não encontrámos situação semelhante, mas sim uma grande diversidade de objectos de grande porte lançados ao rio, restando saber se lançados na zona onde se encontravam ou se teriam vindo na corrente. Exemplos: mobílias, pneus, frigoríficos, partes de automóveis (como para-choques) e roupas, além de enorme quantidade de objectos de plástico, de diversas dimensões, como garrafões, bidões e garrafas e também  materiais vindos das culturas próximas - plástico preto e tubos de rega.

Outra particularidade foi a grande quantidade de salgueiros em pleno leito do rio, alguns de grande porte já, dificultando a navegação. Muitos destes salgueiros são a extensão dos que, estando no cômoro, caíram ao rio, porque o seu caule está carcomido, no cômoro. É bem visível que há muitos anos não há limpeza no cômoro, daí que muitos salgueiros de grande porte, mais inclinados para o rio, provavelmente por acção das cheias, não aguentem e se precipitem nas águas, continuando aí a sua vida.


Outra coisa negativa que encontrámos foi uma mancha enorme de jacintos numa parte específica do percurso da vala, entre a ponte do Ferreira e a ponte de Santana, de tal modo que tivemos de retirar o barco e reiniciar a viagem mais a jusante.

Situação preocupante que encontrámos, do ponto de vista da segurança,  foi a da ponte do Ferreira que, num dos seus apoios, mostra desgaste, estando quebradas as pedras de apoio. Decerto precisará de ser analisada esta situação pelas autoridades competentes, de modo a decidir que fazer.

A finalizar, sendo a descida realizada numa altura do ano em que o caudal é maior e, assim, as águas estão menos poluídas, foi possível detectar peixe em movimento, o que já não acontecerá a partir de Junho e durante largos meses, devido ao menor caudal e maior concentração de materiais de poluição, com origem nas suinicultoras e fábricas que não cumprem as regras, assim como as ETAR, como a de Santarém, que tem sido vista como responsável pelas descargas para a ribeira que vem da zona da povoação do Peso: o peixe desaparece, rio abaixo, para não morrer.

Desta viagem fizemos um filme, cuja 1ª parte mostramos em

https://www.youtube.com/watch?v=R6E5NUJHIqI



As duas partes restantes são publicadas em breve.

Até ao fim do ano realizaremos outras acções relacionadas com o rio Maior-vala de Azambuja, de que daremos notícia, algumas das quais são dirigidas à população do Vale de Santarém e a quem quiser participar.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém

Carlos Vieira - Francisco Nascimento Ferreira - José Luís Ramos - Manuel João Sá.


Descida do rio Maior/vala de Azambuja, pelo Movimento Ecologista
do Vale de Santarém - 29 Março 2014.
Carlos Vieira e Mário de Oliveira, quando tentavam
pôr o motor a trabalhar... sem êxito.

Descida do rio Maior/vala de Azambuja, pelo Movimento Ecologista
do Vale de Santarém - 29 Março 2014. O rio/vala é em muitos quilómetros
um canal com muito boas condições para canoagem,
durante a maior parte do ano. Precisa é de ser limpo.

Descida do rio Maior/vala de Azambuja, pelo Movimento Ecologista
do Vale de Santarém - 29 Março 2014. Carlos Vieira e Mário de Oliveira,
em Santana (Cartaxo) no fim da descida do rio Maior/vala de Azambuja.



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