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2024/04/05

CAMINHADA DA COMEMORAÇÃO DOS 50 ANOS DO 25 DE ABRIL, NO VALE DE SANTARÉM

    Uma caminhada, uma confraternização, e a comemoração, no contacto com a natureza do Vale de Santarém, da passagem dos 50 anos do 25 de Abril, que restituiu a Liberdade aos Portugueses, e também permitiu iniciar um novo caminho, no âmbito da defesa e preservação do meio ambiente e do bem-estar das populações, pela defesa da nossa Casa Comum, que é a Terra.

    A poluição dos solos, do ar, dos rios, dos mares e oceanos é hoje de uma dimensão incalculável, os incêndios e a destruição de espécies alastram pelo planeta, os fenómenos extremos das tempestades, das inundações e das secas alastram, as alterações climáticas estão mais do que comprovadas. 

    A verdade é que, apesar de todas estas evidências e dos sistemáticos estudos e avisos de eminentes especialistas, muitos governantes, empresários e grupos de pressão, concordam em agir como se a realidade não fosse essa, que nos está a conduzir à destruição do planeta.

    Qualquer acção, qualquer organização a nível local, é importante para combater esta postura de destruição e morte, e para ajudar a criar a consciência alargada de que há que agir e trabalhar nesse sentido.

    O Movimento Ecologista do Vale de Santarém, com as suas forças e determinação, enquadra-se neste objectivo, na área da vila e na zona mais alargada da bacia hidrográfica do Tejo. 

    É isso que reafirmamos, nas comemorações dos 50 anos da gloriosa revolução dos Capitães de Abril, da Liberdade e Democracia conquistadas, e que, na nossa actividade, também queremos defender e manter.






2023/08/30

O MOVIMENTO ECOLOGISTA DO VALE DE SANTARÉM FOI CRIADO HÁ 10 ANOS

Passam hoje 10 anos sobre o dia em que um conjunto de mulheres e homens do Vale de Santarém decidiram criar o Movimento Ecologista, após uma série de reuniões, na sede do Clube de Amadores de Pesca da vila.

Com o apoio de duas outras organizações que há algum tempo intervinham na zona do rio Maior - o Movimento Ar Puro, de Rio Maior, e a ECOCARTAXO - exactamente lutando contra a poluição que há anos se abatera sobre o importante afluente do Tejo, a criação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém ocorreu no dia 30 de Agosto de 2013, passando a actuar no mesmo sentido, em colaboração com aquelas organizações, inseridas também no proTEJO - MOVIMENTO PELO TEJO.

Além da poluição do rio Maior, uma triste realidade então já com décadas (assim como o seu abandono pelas autoridades e a perda dos combros, invadidos por árvores, tornando impossível ali caminhar), outros problemas, de âmbito local, exigiam a intervenção do nosso Movimento, principalmente: 

  • O ribeiro que atravessa a vila, pela poluição que passou a apresentar, mas também pelo abandono que revelava, quase desaparecendo o seu leito, e com a retenção de água por alguns moradores; 
  • A degradação e abandono dos antigos locais de lavagem do ribeiro, com destaque especial para o "rio da quinta" das Rebelas, em risco de se perder um rico e notável património histórico;
  • A degradação e abandono do Pinheiro das Areias, árvore monumental, também notável pela sua longa idade, e de enorme valor histórico para a nossa comunidade, reconhecida pela Lei como "árvore de interesse público";
  • A poluição na vila e seus arredores, com vazamento de lixos de construções e de todos os tipos, nas bermas, nos pinhais, nos matos;
  • A preservação de património histórico da vila, como as fontes (de Três e de Uma Bica), do Pombal e da Ponte do Vale, relíquias da comunidade, que fazem parte da sua identidade e memória colectiva.
Ao longo destes 10 anos realizámos diversas acções de acompanhamento e denúncia pública, como perante os poderes autárquicos, administrativos e policiais (ICNF  e SEPNA) de situações reiteradas de poluição e de outros incumprimentos das leis, relativamente aos assuntos do meio ambiente na nossa vila, como daqueles que envolvem a bacia hidrográfica do Tejo.

Apresentámos publicamente vídeos denunciadores da poluição em São João da Ribeira, vazada para o rio Maior, uma calamidade todos os anos durante a época do funcionamento da fábrica do tomate, bem como do vazamento, na zona da Ponte de Asseca, do que ali chega da ETAR de Santarém. 

Participámos em reunião com as quatro autarquias em cujo território corre o rio Maior (Rio Maior, Santarém, Cartaxo e Azambuja) sobre a poluição evidente, continuada, que não diminuiu, envolvendo essa reunião membros das pecuárias operando nas margens e proximidades do rio.

Apresentámos à Junta de Freguesia, como à Câmara Municipal de Santarém, um abaixo-assinado com cerca de 700 assinaturas, sobre a situação de degradação e eminente colapso do Pinheiro das Areias.

Realizámos diversas caminhadas, na zona urbana e em toda a área geográfica do Vale de Santarém, exactamente para dar a ver o território da vila, os seus limites, os percursos pedestres que sugerimos passassem a ser conhecidos e, para além da prática salutar da caminhada em ambiente de natureza, por essa via também ajudar na observação e denúncia de situações de abandono e poluição.

Estas e outras situações, ao longo destes anos, mereceram a nossa atenção e denúncia sistemática, mas participámos também em acções de âmbito mais alargado, na bacia hidrográfica do Tejo, promovidas pelo proTEJO. 

Através deste nosso Blogue, e também pelo Facebook, demos conhecimento das nossas actividades nesta luta que, temos de reconhecer, como tantas organizações e pessoas conhecedoras vêm fazendo, está sendo muito difícil, e são muitas e muito diversas as razões pelas quais as mudanças positivas não estão a ser conseguidas. 

A poluição que se mantém em níveis elevadíssimos nos solos, no ar, nos mares e oceanos, em todo o mundo, com as evidências do aquecimento global, com as devastadoras consequências das alterações climáticas há muito reveladoras, ainda não estão a ter a compreensão e acção das populações, ao nível do planeta, que impliquem a exigência contínua, persistente e inadiável, de alterações fundamentais que tais evidências reclamam e que, como é fácil constatar, os actores e interessados no sistema capitalista reinante continuam a recusar, com o apoio de políticos e governantes, por eles mesmos orquestrados, manipulados, silenciados, ou colaborantes activos.

Pela nossa parte, e no que respeita à nossa área específica, verificamos o que é sobejamente conhecido, e de que temos dado nota, mas sobretudo: 
  • A poluição no Rio Maior continua, como há décadas, e nos combros cresceram e desenvolveram-se árvores em tal quantidade e dimensão, que hoje é impossível neles caminhar; as árvores também se desenvolveram dentro do rio, de modo que, mais ainda com mantos de jacintos no leito, é impossível ali navegar;   
  • O Pinheiro das Areias foi decepado pelos vendavais, mas isso aconteceu mais pelo abandono a que foi votado pelas entidades a quem competia a sua preservação: o ICNF e o poder autárquico de Santarém;
  • O ribeiro do Vale de Santarém deixou de ter leito em grande parte do seu percurso e, além disso, nele só corre água quando chove em boa quantidade e por períodos contínuos. Felizmente, pela nossa insistência, foi recuperado e beneficiado o local de lavagem do "rio da Quinta", pela acção conjunta da Câmara Municipal de Santarém e da Junta de Freguesia do Vale.

Tal como temos dito, a continuação da cidadania activa e  alargada, com mais e mais pessoas interessadas em contribuir para melhorar o meio ambiente, poderá alterar esta lastimável situação. 

Por isso, apelamos a todos os que sentem que isto tem de mudar, para que devem manifestar-se, seja qual for a sua idade, participando nas atividades que propomos e sugerindo outras acções e outras áreas a ter em conta, nesta luta, que é tanto mais vitoriosa quanto mais pessoas nela participarem. 

Em especial, lançamos esse apelo aos jovens do Vale de Santarém. Neste, como em todos os domínios da vida em sociedade, os jovens têm um papel fundamental, participando na construção do melhor futuro, com a energia e as ideias inovadoras que a juventude sabe emprestar à vida em sociedade, e que urge conhecer e acolher. 

Por exemplo, o rio Maior, que poderia ser um contínuo canal de prática de actividades lúdicas, em meio natural, precisa da vossa atenção, em sua defesa, se não aumenta o seu papel como esgoto a céu aberto, que é, há décadas.

Pela nossa parte, continuamos nesse propósito, querendo mais e mais activa adesão às nossas actividades, e energias renovadoras, para mais e melhor, no meio ambiente do Vale de Santarém.

De parabéns, que partilhamos com todos, pela 1ª década da nossa existência e acção de cidadania,

Saudações ecologistas, nelas envolvendo os nossos companheiros do Movimento Ar Puro, de Rio Maior, e a EcoCartaxo, bem com o proTEJO-Movimento pelo Tejo, e todos os dirigentes e activistas, em Portugal, nesta luta pela Vida e pela sobrevivência do nosso Planeta,

A Coordenação.






2023/04/13

CAMINHADA NOS 49 ANOS DO 25 DE ABRIL, NO VALE DE SANTARÉM

Vamos retomar a prática das caminhadas, no Vale de Santarém.

Exactamente no âmbito das comemorações do 25 de Abril deste ano.

Sejam bem-vindas! Sejam bem-vindos!

Mov. Ecologista do Vale de Santarém

A Coordenação.




2022/08/30

O MOVIMENTO ECOLOGISTA DO VALE DE SANTARÉM FOI FUNDADO HÁ NOVE ANOS

Passam hoje 9 anos sobre a criação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.

Estamos de parabéns por isso, mas muito há a lamentar, quando olhamos para o que tem acontecido em termos de meio ambiente, de então para cá, na área da nossa intervenção, como no país e no mundo.

No Vale de Santarém, assistimos há pouco ao muito triste acontecimento da derrocada da outra grande pernada do Pinheiro das Areias, o qual não teve qualquer atenção por parte das entidades que deviam garantir o que a lei prescreve para árvores classificadas de interesse público, como é o caso. Essa falta de atenção e de cuidados específicos não aconteceu recentemente, mas sempre, desde que a árvore foi classificada. O que agora se deu foi a consequência do desinteresse, do abandono, do incumprimento das leis.

O rio Maior (Vala Real da Asseca ou de Azambuja) além de sofrer as consequências das alterações climáticas - com a seca galopante e geral que se tem generalizado no planeta, provocando grande redução de caudais, o que é visível em todas as redes hidrográficas nacionais - está cada vez mais abandonado, num estado lastimável: cresceram árvores no seu leito, os jacintos de água formam manchas enormes, ao longo do seu percurso, as águas, correndo ou não, estão empestadas todo o ano, pelas empresas de suinicultura e os esgotos urbanos, e, no período de Verão, pelas fábricas do tomate.

Como se isso não fosse já muito negativo, os silvados e o arvoredo ocupam os combros, impossibilitando que neles se caminhe ou se ande de bicicleta, desperdiçando-se assim a utilização desse património natural, assim como o trajecto do antigo ramal ferroviário entre a cidade de Rio Maior e o Vale, para a criação de uma ecovia, que poderia existir ao longo de todo o percurso do rio, até à sua foz no Tejo, um pouco depois de Azambuja.

As águas do rio Maior, poluídas, estão a ser usadas nas regas, pelos seareiros, que não têm outro recurso. Um contributo para problemas de saúde, obviamente. Já não servem para pescar, para andar de barco, assim como, para nelas, e nas suas proximidades, as pessoas gozarem o prazer da fruição da Natureza envolvente.  

Tudo isto temos denunciado. Nós e outros movimentos das margens do rio Maior, evidenciando, por denúncias concretas e públicas, os males que têm vindo a ser infligidos ao rio. 

Porém, todas as entidades que deviam tomar medidas e alterar este estado de coisas, têm vindo a pactuar com a situação: não agem, não promovem mudanças que impeçam estes comportamentos negativos.

Acreditamos que a continuação da cidadania alargada, com mais e mais activas pessoas interessadas em contribuir para melhorar o meio ambiente, poderá alterar esta lastimável situação. Todos os que sentem que isto tem de mudar, devem manifestar-se, sejam qual for a sua idade, mas aos jovens, em especial, lançamos esse apelo: o rio Maior, que poderia ser um contínuo canal de prática de actividades lúdicas, em meio natural, precisa da vossa atenção, em sua defesa, se não aumenta o seu papel como esgoto a céu aberto. 

Pela nossa parte, continuamos nesse propósito.

De parabéns, que partilhamos com todos,

saudações ecologistas,

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.



  

2022/04/22

A CARAVANA PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA NO VALE DE SANTARÉM. FOI EM 15 DE ABRIL.

Como previsto, a Caravana pela Justiça Climática chegou de comboio ao Vale de Santarém, ao fim da manhã de 15 de Abril 2022.

Seguiu pelas ruas da vila até ao Jardim Público, para o almoço e para uma sessão de esclarecimento sobre os objectivos da acção , tendo estado presente o presidente da Junta, Manuel João Custódio. 

A representação da coordenação do nosso Movimento esteve a cargo de Alfredo Lobato, que recebeu a Caravana na estação do caminho de ferro e, depois, participou nela até ao dia 16, quando terminou, em manifestação, no Parque das Nações, em Lisboa.

Antes disso, a Caravana teve ainda passagem pelo Cartaxo, e pela CIMPOR - Alhandra. Os Movimentos que, da zona do rio Maior se incorporaram na Caravana, foram, ainda, o Movimento Ar Puro, de Rio Maior e o Eco-Cartaxo.

As fotos abaixo são dessa fase da Caravana, tanto no Vale, como no Cartaxo e Alhandra e, finalmente, em Lisboa.

Em 15 de Abril, a Caravana pela Justiça Climática
chega ao Vale de Santarém


A Caravana pela Justiça Climática, dirige-se
para o Jardim Público do Vale de Santarém


Sessão de esclarecimento durante a Caravana pela
Justiça Climática, no Jardim Público do Vale de Santarém


Sessão de esclarecimento durante a Caravana pela
Justiça Climática, no Jardim Público do Vale de Santarém


A Caravana pela Justiça Climática, após almoço e sessão 
deixa o Vale de Santarém, a caminho do campo

A Caravana pela Justiça Climática, após almoço e sessão 
deixa o Vale de Santarém, a caminho do campo

Na estrada para Porto de Muge, junto à Quinta da 
Fonte Bela, uma paragem para descanso e Alfredo Lobato
a usar da palavra

A Caravana Pela Justiça Climática face a um monte de poluição,
no campo

A Caravana Pela Justiça Climática a caminho da ponte sobre 
o muito poluído rio Maior, em Santana-Cartaxo


Na sede do Movimento Eco-Cartaxo, a Caravana pela Justiça 
Climática descansa e prepara-se para recuperar, na última noite,
ali na cidade

Mas ainda há mais uma sessão, para falar dos objectivos 
da Caravana pela Justiça Climática

Já no dia 16 de Abril, último da Caravana pela Justiça Climática
paragem junto a uma das indústrias tidas como das
mais poluidoras da zona: a CIMPOR

Dia 16 de Abril, a Caravana Pela Justiça Climática
chega ao Parque das Nações, após 400km por muitas terras
do País e a denúncia de muitas situações críticas para a saúde
do planeta e a vida das pessoas

Dia 16 de Abril, a Caravana Pela Justiça Climática
no Parque das Nações, no seu encerramento. 































2022/03/09

A CARAVANA PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA, FACE ÀS MUITO GRAVES SITUAÇÕES QUE ENFRENTAMOS

Passa por diversas zonas do país, entre 2 e 16 de Abril, data em que termina, em Lisboa, com uma grande manifestação.

A poluição, a seca, as inundações, a destruição de habitats, os degelos nas calotes polares, a subida do nível médio das águas dos mares e oceanos, as alterações climáticas, são os temas que vão ser abordados localmente, com as populações.

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém insere-se na Caravana, em cuja organização e realização participa, e apela à presença da população, nesta luta contra uma crise global, que afectará profundamente o nosso Sistema-Terra, com consequências incalculáveis, que já se verificam e muito mais trágicas serão para os vindouros.

Veja o vídeo. É decisivo estarmos informados, para conhecermos o que temos hoje pela frente, e o pior está para vir, se não arrepiarmos caminho.

https://www.youtube.com/watch?v=7GgzQuLQOqg

A Coordenação do MEVS.





2022/03/01

DE 2 A 16 DE ABRIL, A CARAVANA PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA EM MAIS DE 400KM PELO PAÍS

Continuam os preparativos para a Caravana pela Justiça Climática, que entre 2 e 16 de Abril vai passar por diversas zonas do País, com o percurso cujo mapa aqui divulgamos.

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém integra-se no trabalho de preparação da Caravana, tanto mais que a nossa zona, da bacia hidrográfica do Tejo, com o rio Maior como afluente, é também uma das mais poluídas do País, por indústrias, por suinicultoras, pelas ETAR em mau estado de funcionamento e por práticas nocivas de uso de agrotóxicos na agricultura. 

A nossa participação tem igualmente em vista que o planeta Terra  atravessa uma fase de acentuado aquecimento, e que há comprovadas evidências de alterações climáticas, daí resultando:

  • Aumento na incidência da ocorrência de eventos climáticos extremos
  • Elevação do nível do mar
  • Perda de cobertura de gelo
  • Alterações na disponibilidade de recursos hídricos
  • Mudanças nos ecossistemas
  • Desertificação
  • Interferências na agricultura
  • Danos em propriedades e infraestruturas
  • Impactos na saúde e bem-estar da população humana
  • Contingentes de deslocados, fomes e doenças
Por isso, apelamos à participação na Caravana, que, no dia 15 de Abril  estará na Zona do Vale de Santarém, do Cartaxo e de Azambuja, seguindo depois para Lisboa, onde terá a sua maior concentração, numa grande manifestação, no dia 16 de Abril.

A Coordenação do MEVSantarém.








2022/01/25

CARVANA GLOBAL PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA

 

COMUNICADO DE IMPRENSA

Caravana Global pela Justiça Climática vai percorrer 400 km em Portugal

A crise climática e da biodiversidade é o tempo das nossas vidas. Enquanto empresas e governos repetem fórmulas esgotadas para políticas insuficientes, a degradação do clima destrói o nosso futuro coletivo. As cheias, secas, tempestades fora de época, subida do nível médio dos oceanos, incêndios florestais, perda irreversível da biodiversidade e degradação do ar, dos solos e das massas de água são a consequência direta de escolhas deliberadas tomadas nas últimas décadas pelo aparelho produtivo e pelo poder político a nível global.

Perante este estado das coisas, com o nosso futuro nas nossas mãos, a Caravana pela Justiça Climática, em abril, vai percorrer 400km em Portugal, marchando lado a lado com populações locais desde Figueira da Foz para o interior, através de Pedrogão Grande, Oleiros, Vila Velha de Ródão e muitos outros lugares, para depois descer ao lado do Tejo até Lisboa. Neste momento, mais de uma dezena de organizações nacionais e locais já se juntaram à preparação da caravana, que também ocorrerá nível mundial em pelo menos mais cinco países - Uganda, Honduras, Turquia, Nigéria e Bolívia.

A Caravana passará pelas comunidades que já estão mais expostas às consequências da crise climática, assim como por alguns dos principais focos de emissões de gases com efeito de estufa e de poluição do ar, da água e dos solos do país. Os incêndios florestais e a desertificação do país serão também evidentes no percurso, cruzando zonas devastadas pelo fogo em 2017 e em outros anos, assim como as linhas de água da bacia do Tejo afetadas por caudais irregulares e pela poluição, nas quais já existem e se prevê a construção de mais açudes e barragens.

O arranque da Caravana terá lugar no Complexo Industrial da Figueira da Foz, um dos pólos da principal empresa emissora do país, The Navigator Company. De lá até ao fim do percurso, a Caravana passará por vários pontos ligados à crise climática, nomeadamente Pedrógão Grande e Oleiros, epicentros dos mais graves incêndios florestais em território nacional, pela Celtejo, uma das vinte infraestruturas mais emissoras do país, a Central Termoeléctrica do Pego, encerrada em Novembro de 2021 sem garantir condições necessárias para uma transição justa para os trabalhadores, e a fábrica de produção de cimento mais emissora do país, o Centro de Produção de Alhandra, da CIMPOR. A transição energética também não pode passar pelo nuclear e pelo urânio, que alguns pretendem explorar em Nisa.

Iremos descer ao longo do rio Tejo até Lisboa, acompanhando um rio profundamente afectado no seu estado ecológico e biodiversidade. Exporemos, no local, a ausência de uma política capaz de impor a descarga de caudais ecológicos à IBERDROLA na barragem de Cedillo e à EDP nas barragens de Fratel e Belver. Caminharemos ao lado das barreiras à conectividade fluvial já existentes que fragmentam habitats, como o travessão no rio Tejo da Central Termoelétrica do Pego, e os locais onde querem construir novos açudes e barragens como a do Pisão, do Ocreza ou do projeto Tejo da Associação + Tejo e da Quinta da Lagoalva de Cima, em Alpiarça. Testemunharemos as más práticas agrícolas que conduzem à destruição da biodiversidade e à forte emissão de gases, assim como à poluição que entra no Tejo vinda de Espanha, que se agrava com as águas poluídas de afluentes e acaba numa acentuada contaminação do estuário envolvido pela Área Metropolitana de Lisboa.

Para conseguirmos travar a crise climática e a crise ecológica globais, precisamos de um movimento maior do que o mundo alguma vez já viu. Apelamos por isso a todos os movimentos e organizações que se revejam na luta por um futuro digno a que se juntem a nós, transformando a Caravana pela Justiça Climática num momento histórico que, através da força das populações, se insurja contra a irresponsabilidade, a impunidade, a manipulação e a ganância de um sistema capitalista, responsável pela degradação dos ciclos ecológicos que sustentam a vida e que são sustentados por ela.

Mais informações:

João Camargo (Climáximo) 963367363
Ana Silva (proTEJO) 922273439
As organizações: 
Acréscimo; APAEPG - Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do AE de Pedrógão Grande; AVIPG - Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande; Basta! - de crimes ambientais; Casa de Pedrógão Grande; Climáximo; Colinas do Tejo; EcoCartaxo; Greve Climática Estudantil Lisboa; MIA - Movimento Ibérico Antinuclear; Movimento Ecologista do Vale de Santarém; Movimento Cívico Ar Puro; MUNN - Urânio em Nisa Não; proTEJO - Movimento pelo Tejo.



2020/10/22

PELOS NOSSOS RIOS, PELO NOSSO FUTURO

 Vai realizar-se no próximo dia 24 Outubro a acção promovida pelo proTEJO, associação à qual pertencemos, na mesma tendo começado a participar algum tempo após a nossa constituição, que foi em Agosto de 2013.

Esta acção, que vai incluir uma descida do Tejo em canoa, entre as Caneiras e Valada, é mais um grito de alerta a lembrar o estado calamitoso do grande rio ibérico, cuja estado de poluição, assoreamento e abandono começa em Espanha e continua em Portugal, até à foz. Praticamente todos os seus afluentes estão poluídos, devido à nefasta acção dos esgotos urbanos, dos efluentes industriais e dos despejos das suinicultoras.
Na zona do Vale de Santarém, e sem qualquer alteração desde que nos constituímos, a verdade é que o Rio Maior / Vala de Azambuja é um esgoto a céu aberto. Muito longe vão os tempos em que nas suas águas se podia nadar e pescar e, nos últimos anos, devido ao completo abandono do rio e dos combros, agora nem sequer se pode caminhar nas suas margens ou nele navegar.

O rio Tejo é, por isso, um rio a caminho da morte, conforme tem vindo a ser salientado em vídeos, jornais e revistas e diversos investigadores credenciados nesta área têm confirmado. Além do desvio de águas por parte de Espanha, para a região da Andaluzia (um roubo, que Portugal tem permitido) assistimos à degradação e perda de um património natural inigualável, o que exige uma forte condenação por parte dos cidadãos.
Precisamos de rios despoluídos e livres, e no rio Tejo, com um caudal cada vez mais reduzido, começa a subir a cunha salina, que vai chegando mais perto de Valada, uma situação grave, que muito preocupa os agricultores das margens do rio.
Aos cidadãos compete exigir medidas. Cidadãos de todas as idades, e uma evidência de que os jovens também sentem o direito e o dever de tomar parte nesta luta, está o facto de que o Clube de Canoagem Scalabitano, no qual muitos jovens praticam tal modalidade, se ter associado a esta realização, a qual só não tem grande presença popular porque a concentração em Valada foi desconvocada, devido à COVID.

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém está totalmente com esta e outras realizações que, na nossa região como em qualquer zona do País, afirmem inequivocamente que a questão ambiental é decisiva, hoje e todos os dias. Não podemos baixar os braços. É o nosso dever, é o nosso direito, para defesa e salvaguarda do Sistema-Terra.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.



2018/10/31

Rio da Quinta - um espaço da natureza e da história do Vale de Santarém, finalmente reabilitado

Foi no passado dia 18 de Outubro, conforme anunciado, que terminaram os trabalhos de reabilitação deste espaço, o qual, também como salientámos em publicações anteriores, é um daqueles que, no Vale de Santarém, mais memórias positivas traz aos valesantarenos e a todos os que se habituaram a usá-lo e a acarinhá-lo, por ser um recanto histórico, de eleição.

Com a atenção do nosso Movimento, que veio insistindo, tal como muitos valesantarenos, na limpeza e recuperação deste ponto de grande importância para a vila, como são outros ao longo do nosso "rio", e depois de estar previsto para o ano passado, o trabalho, desenvolvido pela Junta de Freguesia e com a orientação dos serviços próprios da Câmara Municipal, veio decorrendo desde há uns meses. Feita a limpeza geral, depois foi a segunda fase dos trabalhos, tendo, em ambos os períodos, havido também a colaboração da nossa parte, com sugestões sobre o que se deveria fazer e, ainda, acção concreta, no terreno.

O que resultou foi o que se pode ver nas imagens, ou seja, uma reabilitação que agrada bastante aos que já visitaram o local, o que aconteceu logo no próprio dia 18, quando se procedia ao fim dos trabalhos. 

Realce também para o facto de ali ter sido colocada uma placa contendo duas quadras com versos de João d'Aldeia, poeta do Vale de Santarém, cujo conteúdo tão bem se enquadra na história do local, como se pode ler. Estas quadras foram escolhidas por Regina Pinto da Rocha e Victor Pinto da Rocha, membros da recém-criada Associação Cultural Vale de Santarém-Identidade e Memória e sugeridas ao presidente da Junta de Freguesia do Vale de Santarém, que as acolheu com gosto, para ficarem no local. Veja-se ainda que, por sugestão e acção de membros do nosso Movimento, foram obtidas e colocadas pedras grandes junto ao leito, lembrando que aquele local era um dos lavadouros públicos de roupa, que as mulheres usavam todos os dias, ao longo do ano, desde há muitas décadas, ninguém saberá dizer desde quando...

Terminada com sucesso a recuperação deste emblemático ponto do nosso ribeiro (a que continuamos a chamar "rio") uma acção pela qual nos batemos praticamente desde a nossa constituição (em 2013)  importa que se mantenha limpo e apresentável, pois certamente os valesantarenos e os que nos visitam gostarão de o ver como um símbolo, um exemplo positivo, agradável, da nossa terra. E, para esse objectivo, para além da Junta de Freguesia, todos têm de contribuir, não maltratando o que agora foi recuperado e beneficiado, que deve ser mantido como se fosse o nosso quintal ou a nossa própria casa. 

Vale a pena insistir na recuperação e beneficiação dos nossos espaços públicos e, pela nossa parte, outros pontos devem ser igualmente limpos e reabilitados, ao longo deste tão importante curso de água. Sabemos porém que em certos pontos tem havido algum desrespeito pelo ribeiro, não só porque para ele se deitam lixos e águas de lavagens de todo o tipo, assim como haverá desvios e retenções de água, que transformam o ribeiro em coutada de alguns. 

Ora, um curso de água, seja grande ou pequeno, deve correr livre e servir, sem ser prejudicado, todos os que estão nas suas margens, até à foz, sem lagoas para onde sejam desviadas as suas águas, ou manilhas que contribuam para criação de lodos e assoreamentos, como foi referenciado recentemente. Tudo isso é ilegal. Iremos estar atentos, para que tal não continue a acontecer. 

A Coordenação

Alfredo Lobato, Carlos Jorge Calheiros, Carlos Vieira, Francisco Ferreira, Manuel Sá, Pedro Adriano, Virgílio Pereira.

Como estava o "Rio da Quinta" em 2017. Vale de Santarém.


A ÚLTIMA FASE DOS TRABALHOS DE REABILITAÇÃO
Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018


Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018-Três gerações da família de Elisa Costa compareceram...

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018. A Mariana Sá Patrício também esteve presente
e ajudou na plantação de novos arbustos

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018. Findo o trabalho, a inauguração...

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018. Foto quase final...

Vale de Santarém-Reabilitação do lugar de "Rio da Quinta"
Fase final-18Out2018. Membros do Movimento Ecologista do Vale de
Santarém que deram contributo ao longo do processo de limpeza e
reabilitação do espaço.






2018/10/14

DIA 18 OUTUBRO, RIO DA QUINTA, NO VALE DE SANTARÉM, VOLTA A TER VIDA





Vai ser no dia 18 deste mês de Outubro o acto oficial de abertura à população do Vale de Santarém e outros interessados, do recuperado espaço do histórico “Rio da Quinta”. Já antes havia sido liberto da grande quantidade de silvas, árvores, arbustos diversos e muito lixo que o tapavam quase por completo mas, com a continuação da orientação dos trabalhos, por parte de especialistas da Câmara Municipal de Santarém e a execução a cargo de elementos ao serviço da Junta de Freguesia e com a coordenação desta, mais recentemente foram continuados os trabalhos de recuperação e beneficiação, de modo a transformar aquele espaço num ponto limpo, asseado, com uma nova imagem, recuperando, pelo menos simbolicamente, aquela riqueza natural e histórica que transformaram o sítio num dos mais representativos emblemas do Vale de Santarém.

É motivo, pois, para estarmos satisfeitos, e aqui o afirmarmos, claramente. Com esta beneficiação a nossa vila fica mais conforme o que se espera que seja, para os que nela vivem e os que por ela passam. Importa, e muito, que este exemplo seja respeitado, protegido e valorizado por todos, pois é a recuperação de algo muito importante da longa história da nossa comunidade, símbolo e espaço de vida de muitas gerações de valesantarenos, sendo também um incentivo para outras recuperações em espaços de natureza pública, na nossa terra, que muito disso carecem, para bem de todos.

Pela nossa parte, tendo assumido este objectivo praticamente desde a nossa constituição como Movimento Ecologista, entendemos que foram bem-sucedidos os nossos alertas para o estado de degradação que ali estava a acontecer e as sugestões que fomos dando para que algo deste tipo se concretizasse. 

De facto, publicámos aqui, no nosso blogue alguns artigos sobre o assunto, nomeadamente:

NO ÂMBITO DO PLANO DE ACTIVIDADES DE 2016, EM 8 MARÇO 2016, conforme pode ser lido em:

VAMOS LIMPAR O “RIO DA QUINTA”, NO VALE DE SANTARÉM – EM 5 MAIO 2017 – para ler, clicar em:

COMEÇOU A LIMPEZA DO “RIO DA QUINTA” – EM 10 ABRIL 2018 – Para ler, clicar em:

Mas não fizemos só comunicados: falámos com o presidente e outros membros da Junta de Freguesia e, ainda que consoante as nossas possibilidades, demos colaboração na fase inicial de limpeza do espaço, tendo ainda contribuído com ideias sobre o que nele devia figurar, do ponto de vista histórico, para o que também colhemos opiniões de membros da recém constituída Associação Cultural Vale de Santarém-Identidade e Memória, pois nesse capitulo da história da nossa terra é a associação mais vocacionada.

Agora que vai acontecer a devolução à população daquele emblemático espaço da natureza e da nossa história, bom será que o consigamos proteger e preservar, pois qualquer elemento do nosso património é uma mais valia para cada cidadão da nossa comunidade, e não só – também o é para aqueles que não vivem no Vale de Santarém.

Por tais razões, porque é de satisfação que se trata, e também pela razão de que aquele é espaço de todos nós, sugerimos que os valesantarenos que o possam fazer compareçam no acto do dia 18 deste mês, às 15 horas, para tomarem parte na apresentação final do espaço recuperado. Pela nossa parte, lá estaremos.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.


Foto do "rio da Quinta", local de lavagem de roupa, de data desconhecida.
Foto do "rio da Quinta", de 2016, já muito tapado e degradado.

Foto do "rio da Quinta", em Abril 2018, já em fase de limpeza.

Foto do "rio da Quinta", em Abril 2018, já em fase de limpeza.