2022/03/01

DE 2 A 16 DE ABRIL, A CARAVANA PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA EM MAIS DE 400KM PELO PAÍS

Continuam os preparativos para a Caravana pela Justiça Climática, que entre 2 e 16 de Abril vai passar por diversas zonas do País, com o percurso cujo mapa aqui divulgamos.

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém integra-se no trabalho de preparação da Caravana, tanto mais que a nossa zona, da bacia hidrográfica do Tejo, com o rio Maior como afluente, é também uma das mais poluídas do País, por indústrias, por suinicultoras, pelas ETAR em mau estado de funcionamento e por práticas nocivas de uso de agrotóxicos na agricultura. 

A nossa participação tem igualmente em vista que o planeta Terra  atravessa uma fase de acentuado aquecimento, e que há comprovadas evidências de alterações climáticas, daí resultando:

  • Aumento na incidência da ocorrência de eventos climáticos extremos
  • Elevação do nível do mar
  • Perda de cobertura de gelo
  • Alterações na disponibilidade de recursos hídricos
  • Mudanças nos ecossistemas
  • Desertificação
  • Interferências na agricultura
  • Danos em propriedades e infraestruturas
  • Impactos na saúde e bem-estar da população humana
  • Contingentes de deslocados, fomes e doenças
Por isso, apelamos à participação na Caravana, que, no dia 15 de Abril  estará na Zona do Vale de Santarém, do Cartaxo e de Azambuja, seguindo depois para Lisboa, onde terá a sua maior concentração, numa grande manifestação, no dia 16 de Abril.

A Coordenação do MEVSantarém.








2022/01/25

CARVANA GLOBAL PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA

 

COMUNICADO DE IMPRENSA

Caravana Global pela Justiça Climática vai percorrer 400 km em Portugal

A crise climática e da biodiversidade é o tempo das nossas vidas. Enquanto empresas e governos repetem fórmulas esgotadas para políticas insuficientes, a degradação do clima destrói o nosso futuro coletivo. As cheias, secas, tempestades fora de época, subida do nível médio dos oceanos, incêndios florestais, perda irreversível da biodiversidade e degradação do ar, dos solos e das massas de água são a consequência direta de escolhas deliberadas tomadas nas últimas décadas pelo aparelho produtivo e pelo poder político a nível global.

Perante este estado das coisas, com o nosso futuro nas nossas mãos, a Caravana pela Justiça Climática, em abril, vai percorrer 400km em Portugal, marchando lado a lado com populações locais desde Figueira da Foz para o interior, através de Pedrogão Grande, Oleiros, Vila Velha de Ródão e muitos outros lugares, para depois descer ao lado do Tejo até Lisboa. Neste momento, mais de uma dezena de organizações nacionais e locais já se juntaram à preparação da caravana, que também ocorrerá nível mundial em pelo menos mais cinco países - Uganda, Honduras, Turquia, Nigéria e Bolívia.

A Caravana passará pelas comunidades que já estão mais expostas às consequências da crise climática, assim como por alguns dos principais focos de emissões de gases com efeito de estufa e de poluição do ar, da água e dos solos do país. Os incêndios florestais e a desertificação do país serão também evidentes no percurso, cruzando zonas devastadas pelo fogo em 2017 e em outros anos, assim como as linhas de água da bacia do Tejo afetadas por caudais irregulares e pela poluição, nas quais já existem e se prevê a construção de mais açudes e barragens.

O arranque da Caravana terá lugar no Complexo Industrial da Figueira da Foz, um dos pólos da principal empresa emissora do país, The Navigator Company. De lá até ao fim do percurso, a Caravana passará por vários pontos ligados à crise climática, nomeadamente Pedrógão Grande e Oleiros, epicentros dos mais graves incêndios florestais em território nacional, pela Celtejo, uma das vinte infraestruturas mais emissoras do país, a Central Termoeléctrica do Pego, encerrada em Novembro de 2021 sem garantir condições necessárias para uma transição justa para os trabalhadores, e a fábrica de produção de cimento mais emissora do país, o Centro de Produção de Alhandra, da CIMPOR. A transição energética também não pode passar pelo nuclear e pelo urânio, que alguns pretendem explorar em Nisa.

Iremos descer ao longo do rio Tejo até Lisboa, acompanhando um rio profundamente afectado no seu estado ecológico e biodiversidade. Exporemos, no local, a ausência de uma política capaz de impor a descarga de caudais ecológicos à IBERDROLA na barragem de Cedillo e à EDP nas barragens de Fratel e Belver. Caminharemos ao lado das barreiras à conectividade fluvial já existentes que fragmentam habitats, como o travessão no rio Tejo da Central Termoelétrica do Pego, e os locais onde querem construir novos açudes e barragens como a do Pisão, do Ocreza ou do projeto Tejo da Associação + Tejo e da Quinta da Lagoalva de Cima, em Alpiarça. Testemunharemos as más práticas agrícolas que conduzem à destruição da biodiversidade e à forte emissão de gases, assim como à poluição que entra no Tejo vinda de Espanha, que se agrava com as águas poluídas de afluentes e acaba numa acentuada contaminação do estuário envolvido pela Área Metropolitana de Lisboa.

Para conseguirmos travar a crise climática e a crise ecológica globais, precisamos de um movimento maior do que o mundo alguma vez já viu. Apelamos por isso a todos os movimentos e organizações que se revejam na luta por um futuro digno a que se juntem a nós, transformando a Caravana pela Justiça Climática num momento histórico que, através da força das populações, se insurja contra a irresponsabilidade, a impunidade, a manipulação e a ganância de um sistema capitalista, responsável pela degradação dos ciclos ecológicos que sustentam a vida e que são sustentados por ela.

Mais informações:

João Camargo (Climáximo) 963367363
Ana Silva (proTEJO) 922273439
As organizações: 
Acréscimo; APAEPG - Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do AE de Pedrógão Grande; AVIPG - Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande; Basta! - de crimes ambientais; Casa de Pedrógão Grande; Climáximo; Colinas do Tejo; EcoCartaxo; Greve Climática Estudantil Lisboa; MIA - Movimento Ibérico Antinuclear; Movimento Ecologista do Vale de Santarém; Movimento Cívico Ar Puro; MUNN - Urânio em Nisa Não; proTEJO - Movimento pelo Tejo.



2022/01/18

CARTA AOS PARTIDOS, EM TEMPO DE ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

(Nº. 1 / 2022) 


PUBLICAMOS A CARTA DA CPADA ENVIADA AOS

 PARTIDOS, CUJO TEOR APOIAMOS

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Confederação Portuguesa das Associações 

de Defesa do Ambiente (CPADA)


Contributo dirigido aos partidos políticos 

em matéria de defesa do ambiente

 

A CPADA constata a ausência quase completa dos diversos temas da problemática ambiental no presente debate eleitoral, e chama a atenção para o facto dramático de o Planeta Terra estar a atravessar várias crises que podem colocar em risco o futuro da própria Humanidade.

  1. Crise climática – aumento das catástrofes naturais, degelo dos polos e das regiões boreais, que libertam, já hoje, milhões de toneladas de CO2, subida do nível dos mares e o alagamento das zonas costeiras, a alteração das correntes marítimas e desertificação de vastas zonas geográficas, incluindo uma parte substancial do nosso país.
  2. Crise ecológica – exploração insensata dos recursos naturais, crescimento demográfico exponencial, poluição massiva das águas, do ar, dos solos, poluição dos oceanos, destruição do tecido florestal que liberta na atmosfera uma enorme quantidade de carbono.
  3. Crise da biodiversidade - extinção massiva das espécies vegetais, animais e seres microscópicos, a sexta na história do nosso planeta, mas a primeira em que o principal causador é o próprio homem.
  4. Crise político-social - tensões geopolíticas que poderão gerar conflitos globais, assim como a migração de milhões de pessoas provocada pelas alterações climáticas, geradoras de penúria de recursos e fome.

E será a convergência de todas estas crises que poderá conduzir ao colapso, a uma derrocada irreversível da Humanidade.

É a altura para atuar, provavelmente o derradeiro momento e última oportunidade para inverter esta tendência.

Que medidas se propõem para mudar a atual situação:

  1.  Crise climática:
  • Florestar, reflorestar, plantar árvores e renaturalizar sistemas degradados, e proteger as zonas arborizadas, pastagens e outros espaços de vegetação nativa, porque são estes que têm o maior potencial de retenção de carbono.
  • Decrescer no consumismo de bens e de energia.
  • Descarbonizar, nos transportes, nas fábricas e em todas as atividades.
  • Produtos quilómetro zero:  produzir local e consumir local.
  • Afetar a totalidade das Matas Nacionais e públicas, à função de conservação e do sequestro do carbono.
  1. Crise ecológica
  • Adotar medidas urgentes, para a passagem rápida a uma agricultura em modo de produção biológica.
  • Uma alimentação mais saudável, para uma sociedade mais saudável.
  • Reforçar o apoio financeiro às explorações pecuárias em modo extensivo, e de práticas complementares promotoras da conservação e defesa do ambiente.
  • Fomentar a prática de cidadania ecológica, através da inclusão da Ecologia-ciência e Ecologia-política, como disciplinas escolares nos diferentes graus e níveis do ensino.
  • Determinar e apoiar a redução drástica do uso de plásticos, que está a contribuir para contaminar os ecossistemas terrestres, os mares e oceanos, os rios, os solos e, acima de tudo, as cadeias alimentares, incluindo a humana.
  1.  Crise de biodiversidade:
  • Restaurar uma paisagem biodiversa, com a instalação de sebes e corta-ventos, nas áreas agrícolas.
  • Plantar bosques e matas com espécies nativas, como prioridade nacional.
  • Garantir a integridade e a proteção dos valores naturais das Áreas Protegidas, e criação de novas áreas de conservação, do qual é exemplo a recomendação da Assembleia da República (RAR 266/2021) para a criação de um parque natural na região da ria de Aveiro, concretização da criação da Reserva Natural da Lagoa dos Salgados. Criação da Área Marinha Protegida da Pedra do Valado e proteção das Salinas de Alverca e Forte da Casa.
  • Assegurar que a prática da caça contribui para a conservação da natureza e promoção da biodiversidade, regulamentando através da revisão da legislação em vigor.
  • Travar a degradação do litoral português, impedindo o avanço dos inúmeros processos de projetos turísticos de luxo ao longo da costa.
  • Melhorar os recursos humanos e materiais do ICNF, para que possa exercer as   funções importantes que lhe competem.
  • Aumento dos salários dos Guardas Florestais, Vigilantes da Natureza.
  • Avaliar adequadamente as alternativas para o novo aeroporto de Lisboa,   escolhendo, sem insistir nas propostas falhadas do Montijo e de Alcochete.
  1.  Crise social e política:
  • Aprofundar o envolvimento da sociedade na decisão das questões ambientais, através de uma política de entreajuda e solidariedade, entre nações, comunidades e indivíduos.
  • Dinamizar relações transnacionais, que conduzam para a resolução das ameaças ambientais, no respeito estrito pelos ecossistemas, suas componentes e dinâmicas
  • Promover políticas de partilha e participação política ativa dos cidadãos, em matérias de defesa do ambiente

Lisboa, 14 de janeiro de 2021

P’ Conselho Executivo

Miguel Serrão

(O vice-presidente do conselho executivo da CPADA)


2021/11/28

A ETAR DE SANTARÉM E A POLUIÇÃO

 Nº. 3 / 2021

Não é situação nova. Há anos que vimos alertando para a sua evidência.

Agora mesmo, vídeos publicados no Facebook mostram o que abaixo se pode ver e está bem identificado.

Quando seria de esperar que a entidade responsável tivesse um comportamento sistemático, de modo a fazer o contrário do que está a acontecer, tudo permanece na mesma, considerando os vídeos que, nós próprios, divulgamos, há muito.

Perante esta evidência, que papel cabe aos que estão na Câmara Municipal de Santarém e no Ministério da Tutela? Que vão fazer?

É fundamental que os cidadãos tenham consciência dos perigos, para a saúde pública, desta falha grave, com origem na ETAR de Santarém, e que se exija a resolução do problema.

Tudo o que se vê, nos vídeos agora divulgados, entra na zona da Ponte de Asseca no rio Maior, que desagua no Tejo, um pouco para lá de Azambuja. 

As regas, das culturas nesta zona, são feitas com estas águas - os seareiros não têm outras. 

Até quando?...

https://www.facebook.com/groups/541970839519944/posts/1638857809831236/?__cft__[0]=AZXPahjBESu3QFtDZn3YGFptTlz1Kx8PMfB1hcKic3CbtnaVy7HcdjoyV7BZnB0h0c6Y6rA2tT2akeVwl0kHoR66isheZq96D5BidkCDjlqKRRA4YXoNMFEtQrmO5UUhfZEB8g2OPsGIlK5Gu8m_CA-jqFsczds1wSFVvUwayoXIuQ&__tn__=-UK-R  


2021/08/29

NO OITAVO ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO DO MOVIMENTO ECOLOGISTA DO VALE DE SANTARÉM

 (Nº. 2 / 2021)


O MOVIMENTO ECOLOGISTA DO VALE DE SANTARÉM, criado em 30 de Agosto de 2013, tem desenvolvido a acção a que se comprometeu, aquando da sua proclamação fundacional, dentro dos objectivos traçados e com os meios e nas condições que tem podido usar nas suas actividades.

Não descurando a sua inserção na vasta zona da bacia hidrográfica do Tejo, onde então já se manifestava a situação grave que, no grande rio ibérico, se iria ainda agudizar, como é sabido, o Movimento teve em conta, inicialmente, os problemas locais que exigiam atenção:

  • A situação de decadência do Pinheiro das Areias, esquecido há anos, mesmo depois de uma moção aprovada por unanimidade em assembleia de freguesia do Vale, e apesar de a lei que o protegia – e protege – por ser “árvore de interesse público”, determinar cuidados específicos das autoridades competentes, o que não aconteceu, até hoje;
  • O rio Maior – já então em estado de poluição, há dezenas de anos – onde, a maior parte do ano, a água, carregada de resíduos do funcionamento de indústrias, suinicultoras e esgotos urbanos, era (e é) a que há para rega; onde não se pode pescar, a não ser no tempo das chuvas; onde os jacintos e os salgueiros tomaram conta do leito; onde, os combros ficaram intransitáveis, por neles terem crescido salgueiros e choupos que impedem que ali se circule, mesmo a pé;
  • A ETAR do Vale, que esteve em inacção alguns anos e, finalmente, haveria de estar a funcionar em pleno, situação positiva que se mantém até hoje, pelo que temos controlado;
  • A prática de abandono de lixos e diversos materiais pelas bermas das ruas e estradas do Vale e, também, em espaços não públicos da freguesia – pelos campos e montes – uma pecha que infelizmente continua;
  • A situação do ribeiro da aldeia, ao longo dos anos em situação de contínua perda de caudal e até do próprio leito;
  • A preservação das duas fontes públicas da vila, se possível com o uso controlado do estado da água e a manutenção regular do legado histórico que esse património constitui;
  • Preservação e manutenção do jardim público do Vale de Santarém.

Foram estas as preocupações maiores que assumimos desde o início, levando-nos a acções diversas, propostas à população e outras, havendo a destacar:

  • Contactos do Movimento com o ICNF (Santarém e Serviços de Lisboa) sobre a situação do Pinheiro das Areias;
  • Desenvolvimento de um abaixo-assinado, no Vale, aberto a pessoas de outras localidades, que colheu mais de 700 assinaturas, depois apresentado à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal de Santarém, exigindo que, conforme a lei, a histórica árvore recebesse os cuidados a que tem direito – nada foi feito, inclusive após o vendaval que lhe retirou uma pernada;
  • Identificação dos locais de poluição do rio Maior, não só na zona da freguesia, mas a montante e jusante, com fotos e vídeos, enviados ao SEPNA, além de denúncias, porém sempre nos foi comunicado “nada se ter encontrado” – mesmo com vídeos de São João da Ribeira, onde o que saía de uma fábrica evidenciava clara poluição, assim como na zona da Ponte de Asseca, com poluição vinda da zona da ETAR de Santarém, para o rio;
  • Participação numa sessão pública, promovida pelas quatro Câmaras da bacia do rio Maior, com técnicos, membros de autarquias, membros dos movimentos ecologistas das margens do rio e suinicultores e seus representantes – na qual ficou claro que, os últimos, deveriam tomar medidas para não continuarem a poluir;
  • Denúncia de lixeiras a céu aberto, no Vale e zonas públicas abandonadas, como pinhais e olivedos, além de má utilização dos recipientes de recolha dos lixos domésticos, e também as recolhas tardias por parte dos serviços camarários.

Para além destas acções, no âmbito do proTEJO, participámos nas manifestações públicas  e outras acções de denúncia da situação calamitosa de poluição do rio Tejo, que já em Espanha sofreu e sofre altas cargas de poluição, que o transformam num esgoto e, em Portugal, na zona de Vila Velha de Ródão e um pouco por todo o seu leito, até à foz, inclusive através dos seus afluentes, recebe o que, antes, devia ter (e não tem) tratamento adequado pelas indústrias e outros poluidores instalados nas suas margens. Rio Tejo que, como tem sido denunciado, em virtude dos desvios e aprisionamentos de águas em Espanha, tem regime muito irregular de caudais, muitas vezes mais parecendo um regato, com particular repercussão em Portugal.

Por outro lado, através de caminhadas, promovidas e organizadas pelo Movimento, assumimos a acção de dar a conhecer o Vale no que respeita à sua envolvente natural e limites com as freguesias vizinhas, como meio não só de facultar esse conhecimento, de promover o sentimento de pertença ao nosso território específico e de contribuir para a mobilidade e saúde dos cidadãos, como também identificar e tomar consciência de práticas negativas para o ambiente. Neste domínio, foi possível dar a ver aos participantes a poluição e outros problemas atrás referidos, quanto ao rio Maior, e os despejos de lixos e outros materiais, de todos os tipos, um pouco por todo o lado, nas cercanias da parte urbana do Vale.

Passados que são oito anos da nossa fundação, ocorrida no dia em que, cerca de trinta valsantarenos, após outras reuniões, decidiram criar o nosso Movimento, temos consciência de que o trabalho realizado não foi ainda o suficiente; que, apesar de todo o entusiasmo e generosidade que demos à causa de querer o melhor, em termos de meio ambiente, para a nossa terra, tem ficado aquém do necessário. Porém, estamos animados do melhor de nós, para levar por diante tal missão, com mais pessoas e mais acções, no sentido a que nos propusemos.

Não é nosso papel substituir as entidades a quem cabe exercer o controlo e a acção de proibição e condenação legal de actos que contrariem a vida das pessoas, o seu bem-estar e a preservação e o equilíbrio do Sistema-Terra, antes colaboramos e cumprimos no que é um direito e um dever, tal como nos diz a Constituição da República Portuguesa, no Capítulo II – Direitos e deveres sociais, a propósito de Ambiente e qualidade de vida, Artº 66º. 1 -  Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.

Neste sentido, no âmbito do direito e do dever assim consignados, temos presente que nos cabe uma acção de cidadania consciente, continuada e persistente, através de valores e práticas ecologistas, que sirvam os interesses comuns dos habitantes do nosso Vale, pela defesa dos cursos de água, do ar e dos solos, por uma vida saudável, pela preservação dos nossos espaços e bens naturais e a valorização da nossa terra.

Guia-nos, desde o início, a prática de uma sã relação institucional e o sentido de colaboração com as outras colectividades e outras organizações do tecido social do Vale e, obviamente, com os órgãos e membros eleitos dos órgãos autárquicos, norteando-nos por uma posição de princípio assumida, de independência em relação a organizações de política partidária e confessionais, de qualquer natureza.

Assim faremos. Pelo bem dos Valsantarenos e do Vale de Santarém.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém

Em 29 de Agosto de 2021.





2021/03/22

O Mundo tem sede...

 (Nº. 1 /2021)

No Dia Mundial da Água...
Em cada cinco pessoas, no Mundo, duas estão privadas de água de boa qualidade para consumo. Cerca de metade dos habitantes do planeta não dispõe de uma rede de abastecimento satisfatória. A escassez de água é um dos principais problemas ambientais do mundo. Portugal, ainda que em situação longe do dramatismo de outros países, também vive esta situação, mais evidente, especialmente em certas zonas do interior e do sul do país.

A água potável é um bem finito, que se reparte desigualmente pela superfície terrestre. É um recurso renovável, devido ao chamado ciclo da água, mas as suas reservas não são ilimitadas. Os cientistas dizem que, se o consumo continuar crescendo desordenadamente, como nas últimas décadas, as águas superficiais do planeta estão comprometidas por volta de 2050.

A carência de água é resultado da combinação de efeitos naturais, demográficos, socioeconômicos e até culturais. Chuvas escassas, alto crescimento demográfico, desperdício e poluição de mananciais, combinam-se para gerar uma situação já denominada de “stresse hídrico “. Esta situação ocorre quando a disponibilidade hídrica é inferior 2 mil m3 anuais por habitante.

Em Portugal, as barragens e as zonas de captação de água potável têm vindo a causar preocupações crescentes, ano a ano: em certas zonas do país há níveis preocupantes de falta de água potável, para não falar da sua carência para animais e plantas.

Em certas zonas do Mundo, especialmente no Médio Oriente, a escassez de água tem feito surgir situações de conflito, casos de tensões geopolíticas geradas pela disputa pelo domínio e utilização de fontes de água, especialmente rios, quando estes atravessam regiões de vários estados. Prevê-se que os eventuais conflitos nesta região, ao longo do século XXI, sejam causados cada vez mais pela corrida à água e cada vez menos pelo petróleo.

De certo modo, o desvio de águas do rio Tejo, em Espanha, para os territórios do sul do país vizinho, embora sem atingir tal nível de conflito, constitui já, desde há anos, uma perda significativa de água, que devia correr pelo grande rio, até Lisboa, mas que foi desviada, ao abrigo de uma Convenção entre os dois países, com prejuízo para Portugal. Renegociar a Convenção de Albufeira, é urgente e necessário.

Este é um problema de grande amplitude universal, que se vem agudizando. Apesar de 75% da superfície da Terra estar coberta por massas líquidas, a água doce não representa mais que 3% desse total. O problema é que apenas um terço da água (presente nos rios, lagos, lençóis freáticos superficiais e atmosfera) é acessível. O restante está imobilizado nas grandes regiões geladas, nas calotes polares (a derreter, devido à elevação da temperatura média anual) e nos lençóis freáticos profundos.

Atualmente, cerca de 50% das terras emersas já enfrentam um estado de penúria em água. Ao longo do século passado, a população mundial foi multiplicada por três, as superfícies irrigadas foram multiplicadas por seis e o consumo global de água foi multiplicado por sete. Ao mesmo tempo, nas últimas cinco décadas, a poluição dos mananciais reduziu as reservas hídricas em um terço.

É decisivo: reduzir a poluição - das águas, dos solos, do ar, e usar menos químicos e pesticidas na agricultura; desenvolver processos de reciclagem das águas; melhorar a conservação das redes de distribuição; evitar o desperdício; desenvolver pesquisas sobre culturas agrícolas menos exigentes à água e mais tolerantes ao sal.

A dessalinização da água do mar seria uma alternativa, em algumas regiões, mas o seu alto o custo não pode ser suportado pelas economias dos países mais débeis.

O que é visto como muito decisivo: ordenamento e planeamento do uso do solo, o que implica, com urgência, a realização de um plano de recuperação e conservação da cobertura florestal. Mais árvores, é preciso!

(Com base em leituras efectuadas, para o nosso contributo no Dia Mundial da Água, em 2021).
As duas primeiras fotos são: da Barragem Pego do Altar, 2019, zona de Alcácer do Sal, e da ponte que não estava a descoberto, há mais de 60 anos.

A terceira foto é da carência de água potável, no Mundo.




 





2020/10/22

PELOS NOSSOS RIOS, PELO NOSSO FUTURO

 Vai realizar-se no próximo dia 24 Outubro a acção promovida pelo proTEJO, associação à qual pertencemos, na mesma tendo começado a participar algum tempo após a nossa constituição, que foi em Agosto de 2013.

Esta acção, que vai incluir uma descida do Tejo em canoa, entre as Caneiras e Valada, é mais um grito de alerta a lembrar o estado calamitoso do grande rio ibérico, cuja estado de poluição, assoreamento e abandono começa em Espanha e continua em Portugal, até à foz. Praticamente todos os seus afluentes estão poluídos, devido à nefasta acção dos esgotos urbanos, dos efluentes industriais e dos despejos das suinicultoras.
Na zona do Vale de Santarém, e sem qualquer alteração desde que nos constituímos, a verdade é que o Rio Maior / Vala de Azambuja é um esgoto a céu aberto. Muito longe vão os tempos em que nas suas águas se podia nadar e pescar e, nos últimos anos, devido ao completo abandono do rio e dos combros, agora nem sequer se pode caminhar nas suas margens ou nele navegar.

O rio Tejo é, por isso, um rio a caminho da morte, conforme tem vindo a ser salientado em vídeos, jornais e revistas e diversos investigadores credenciados nesta área têm confirmado. Além do desvio de águas por parte de Espanha, para a região da Andaluzia (um roubo, que Portugal tem permitido) assistimos à degradação e perda de um património natural inigualável, o que exige uma forte condenação por parte dos cidadãos.
Precisamos de rios despoluídos e livres, e no rio Tejo, com um caudal cada vez mais reduzido, começa a subir a cunha salina, que vai chegando mais perto de Valada, uma situação grave, que muito preocupa os agricultores das margens do rio.
Aos cidadãos compete exigir medidas. Cidadãos de todas as idades, e uma evidência de que os jovens também sentem o direito e o dever de tomar parte nesta luta, está o facto de que o Clube de Canoagem Scalabitano, no qual muitos jovens praticam tal modalidade, se ter associado a esta realização, a qual só não tem grande presença popular porque a concentração em Valada foi desconvocada, devido à COVID.

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém está totalmente com esta e outras realizações que, na nossa região como em qualquer zona do País, afirmem inequivocamente que a questão ambiental é decisiva, hoje e todos os dias. Não podemos baixar os braços. É o nosso dever, é o nosso direito, para defesa e salvaguarda do Sistema-Terra.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.