26/03/2018

Carta dirigida às quatro câmaras das margens do rio Maior-Vala Real de Azambuja

Como foi noticiado, em 7 de Março 2017 realizou-se em Santarém, um seminário sob o título "Potenciar Sinergias na Actividade Pecuária", promovido pela Câmara Municipal de Santarém e com a participação das outras três Câmaras das margens do rio Maior: Rio Maior, Cartaxo e Azambuja. Como se vê abaixo, os títulos dos temas a abordar apontavam a necessidade de medidas para fazer parar a situação de poluição que, da parte das suinicultoras, tem um grande e grave contributo.


Passado um ano sobre esta realização, as organizações ecologistas  das margens do rio Maior, que também foram convidadas para o Seminário, e não tendo notado qualquer mudança positiva, enviaram por estes dias uma carta conjunta aos Presidentes das quatro Câmaras, do seguinte teor:

Assuntos: 1. Poluição no rio Maior e necessidade de medidas; 
2. Criação de Ecovia nas margens do rio Maior / Vala Real.

Exmos. Senhores Presidentes das Câmaras de Rio Maior, 
Santarém, Cartaxo e Azambuja


1.
       
O rio Maior / vala Real da Azambuja é um dos mais importantes afluentes do rio Tejo. No rio houve pesca e aproveitamento da energia das suas águas para as azenhas e até uma central eléctrica; desenvolveu-se a agricultura; criaram-se unidades de produção de diversos tipos; fixou-se população; fundaram-se e cresceram povoações, hoje aldeias, vilas, cidades; ali as pessoas aprenderam a nadar, a pescar, a conviver. O rio Maior foi a base e a razão do desenvolvimento da vida de aldeias e vilas dos concelhos de Rio Maior, Santarém, Cartaxo e Azambuja. Além dessas valências históricas, de muitos séculos, a ÁGUA que corre nos rios é um bem precioso insubstituível e escasso, que deve ser defendido no presente e projectado para o futuro, por estar na base da sobrevivência de todos os seres vivos que dele dependem - ser humano incluído.

Não podemos ignorar que é uma água envenenada que rega os campos das suas margens, nem recusar reconhecer o absurdo que é consumir melões, morangos e hortícolas ao mesmo tempo que nos recusamos a beber e a mergulhar nas suas águas.
 
Como é sabido, e devidamente comprovado, o rio Maior está, há mais de quarenta anos, condenado a uma crescente poluição, de que é possível encontrar referências e lamentos por parte das populações, por exemplo na imprensa regional. As razões objectivas, devidamente identificadas, estão no comportamento de unidades que não cumprem as regras, como as de suinicultura, espalhadas ao longo do rio, e outras unidades, como a Tomatagro, em São João da Ribeira, assim como numa agricultura altamente poluidora da água e dos solos, ávida de produtos químicos de síntese. Acresce que continua ainda por resolver a ineficiência, e até a inexistência, de sistemas de tratamento adequado de efluentes urbanos, o que aumenta o caudal de poluição no rio. Outro flagelo, ainda, passou a atingir o rio: o excesso de nitratos que induz a proliferação de jacintos-de-água, que cobrem o leito ao longo de quilómetros, contribuindo para o fenómeno de eutrofização da água.

As associações signatárias têm vindo, há anos, a identificar tais situações, dando informação pública, enviando denúncias para as entidades da administração pública desta área, mas reconhecidamente sem sucesso. Às câmaras municipais e às juntas de freguesia temos feito chegar alertas, regularmente, para estes problemas, usando fotos e vídeos das situações encontradas, sabendo, porém, que a situação de destruição do rio está muito para além daquilo que é visível e é muito mais vasta. Acrescente-se que todas as medidas deverão ser pensadas no quadro mais geral do combate à poluição na bacia do Tejo.

Em Março de 2017 houve, enfim, uma sessão para a qual fomos convidados, realizada pela Câmara Municipal de Santarém, e que congregou também a vontade das restantes Câmaras das margens do rio Maior, no sentido de começar a tratar de um dos múltiplos problemas: a poluição provocada pelas suinicultoras. Foram convidados também empresários suinicultores e seus representantes associativos, além de autarcas e técnicos. Este seminário viria a concluir pelo óbvio: face à situação grave de poluição provocada por aquelas explorações, era urgente que as mesmas começassem a tomar as medidas necessárias para deixarem de poluir as ribeiras e o próprio rio Maior. Embora em termos informais, foi mesmo entendido pelas Câmaras que devia ser dado o prazo de um ano para haver mudanças e, também, que as Câmaras apoiariam na medida das suas possibilidades, além de se ter falado na existência de fundos estruturais, aos quais se poderia concorrer.

Da nossa parte, como sempre temos dito, e convém reafirmá-lo, nada temos contra as explorações pecuárias ou outras, desde que tenham instalados os sistemas de tratamento de efluentes exigidos para a sua capacidade de produção e que não estejam desligados ou sejam ineficientes. Por outro lado, reafirmamo-lo, ainda, continuar a acção de denúncia de tais crimes ambientais, com graves repercussões na qualidade das águas superficiais e subterrâneas, e consequentemente na saúde dos ecossistemas e na saúde pública.

Por isso, passado quase um ano sobre o seminário atrás mencionado, perguntamos:
1)     Qual é o ponto de situação?
2)     Qual é o passo que se segue?

2.

Entretanto, através da comunicação social regional, soubemos da intenção das quatro Câmaras de criarem uma Ecovia nas margens do rio Maior, no percurso do antigo ramal ferroviário entre Rio Maior e Vale de Santarém, com continuação, entre Vale de Santarém e Azambuja, pelo combro da vala Real, supomos.

Ora, esta ideia da criação de uma Ecovia em tal percurso, fazemos lembrar, tem vindo a ser proposta e defendida pelas quatro organizações abaixo referidas desde 2015, com ela concordando outras associações: EICEL Património Mineiro, Clube do Mato, Scalabitrilhos, Clube Amadores de Pesca do Vale de Santarém.

Neste sentido, as quatro organizações ambientalistas visitaram as ecovias do Montado (Montemor-o-Novo) e de Porto de Mós (antigas minas da Bezerra) contactando os responsáveis de tais estruturas, e obtendo informação para melhor se alcançar tal objectivo. Na sequência, temos elaborado um documento, ainda anteprojecto.

Congratulamo-nos com o facto de as Câmaras das margens do rio Maior / vala real de Azambuja, pelo que deduzimos, acolherem e anunciarem este propósito, uma importante medida de desenvolvimento, em múltiplos campos, desde que efectuada com respeito pela Natureza e preservando o rio e as suas margens - sobretudo no que diz respeito à manutenção de galerias ripícolas.

É óbvio que, defendendo e levando por diante esta intenção, as quatro câmaras, com o apoio das juntas de freguesia e das instituições regionais, não irão querer ter, para os seus munícipes e para quem nos visitar (portugueses e estrangeiros) uma infraestrutura deste tipo nas margens de um rio que continue moribundo, com a grave poluição que se regista há décadas. Esta Ecovia, com possibilidade de integrar a rede europeia, será uma mais-valia para a região, e tem de ser vista e assumida como parte importante de uma mudança que urge acontecer, pela recuperação da qualidade da água dos rios e ribeiras da nossa região, e não contribuir, como acontece, para a gravíssima poluição de há anos, no rio Tejo.

Afirmamos manter a nossa ligação à prossecução deste objectivo, e a nossa total disponibilidade para colaborar naquilo que for entendido útil para o efeito.

Com os nossos melhores cumprimentos.

24 Março 2018

Movimento Cívico “Ar Puro” - Rio Maior;
Movimento de cidadania “No Coração da Cidade” - Santarém;
Movimento Ecologista do Vale de Santarém;
Eco-Cartaxo – Movimento Alternativo e Ecologista 




No rio Maior, a poluição continua

Um ano após um seminário realizado em Santarém, pela Câmara Municipal, com a participação de membros das quatro câmaras das margens do rio Maior-Vala Real de Azambuja, e também com a participação de suinicultores e seus dirigentes associativos e técnicos da área, também aberto a autarcas e organizações ambientalistas, igualmente convidadas, a situação de poluição que existe no rio, há mais de quarenta anos, não se alterou.

Pela nossa parte, que acompanhamos em permanência o que se passa no rio na nossa zona de acção, relatámos as situações encontradas, mas as chamadas autoridades nunca encontram seja  que for de indício, segundo nos comunicam, após as denúncias.

Recentemente o jornal Valor Local, de Azambuja, ouviu-nos em entrevista, que está em

https://valorlocal.weebly.com/trecircs-anos-depois-da-criaccedilatildeo-de-um-grupo-de-estudo-rio-maior-ainda-agrave-espera-de-uma-soluccedilatildeo-para-a-poluiccedilatildeo.html

Entretanto, face a esta situação, quatro organizações ambientalistas das margens do rio Maior estão a enviar uma carta conjunta às Câmaras, pedindo esclarecimentos sobre o ponto de situação. Estas organizações são: Movimento Ar Puro, de Rio Maior; No Coração da Cidade, de Santarém; Movimento Ecologista do Vale de Santarém; Eco-Cartaxo, do Cartaxo.

No próximo dia 28 Março vai realizar-se em Santarém uma assembleia municipal, com a presença do Ministro do Ambiente, na qual vamos estar presentes.

O rio Maior, afluente do Tejo, é um esgoto a céu aberto, como aqui temos mostrado, com fotos e vídeos, desde que nos constituímos como organização ecologista, em Outubro de 2013. Desde então não houve melhorias, antes pelo contrário - o rio continua a alimentar a alta poluição de que o Tejo padece, o que tem sido sobejamente divulgado.

Não deixaremos de lutar pelo fim da poluição no nosso rio, onde suinicultoras, fábricas e efluentes urbanos lançam a morte nas suas águas.



A Coordenação.

Poluição no rio Maior - Zona de Ponte de Asseca,
na entrada da ribeira do Peso, vinda da zona da ETAR de Santarém,
no rio Maior. Foto de Carlos Paula-1

Poluição no rio Maior - Zona de Ponte de Asseca,
na entrada da ribeira do Peso, vinda da zona da ETAR de Santarém,
no rio Maior. Foto de Carlos Paula-2

Poluição no rio Maior - Zona de Ponte de Asseca,
na entrada da ribeira do Peso, vinda da zona da ETAR
de Santarém, no rio Maior. Foto de Carlos Paula-3





26/01/2018

Do nosso programa para 2018: O rio Maior, afluente do Tejo. Da poluição ao desperdício de um curso de água de grande importância na região da Lezíria

Desde a nossa fundação, em 2013, dedicamos atenção ao rio Maior que, a partir do reinado de D. José I, teve o seu traçado alterado: o seu percurso foi transformado em canal em dado ponto, recebendo o rio, a partir daí, a designação de Vala Real de Azambuja, localidade próxima da qual desagua, no Tejo.

Temo-nos centrado principalmente na poluição que chega ao rio, através das ribeiras, mas também de forma directa, por parte de indústrias e suinicultoras, além de esgotos urbanos.


A poluição que, na época da colheita e transformação do tomate, entra no rio em S. João da Ribeira, assim como a que provém de diversas suinicultoras, ao longo do seu percurso, é o grande problema.


Tem havido denúncias, pelas associações ecologistas das margens do rio e por muitos outros cidadãos, mas as autoridades sempre dão a resposta de que "nada de anormal se constatou", ou semelhante. 

Em Março de 2017, dando nota de que a poluição estava já a chegar a níveis maiores de preocupação, a Câmara Municipal de Santarém, em conjunto com as outras três, das margens do rio  (Rio Maior, Cartaxo e Azambuja) realizou um seminário sobre a "Actividade Pecuária", onde estiveram técnicos, empresários da pecuária e seus representantes e, ainda, as associações ecologistas da zona, como nós.

Concluiu-se que a poluição tinha de ser travada, por modificações significativas nas explorações, pois o rio e suas ribeiras não poderiam continuar sujeitas aos níveis de poluição constatados. 


Em consequência, as pecuárias teriam de tomar as medidas necessárias, falando-se, inclusive, em meios, nomeadamente financeiros - apoios estruturais - para esse fim. A evolução que possa ter havido não é conhecida - pelo menos, não foi nada divulgado.


Continuámos em 2017 a fazer observações no rio, como a Ponte de Asseca, a ETAR do Vale e suinicultoras, além da ponte do Ferreira que, há uns anos, começou a entrar em ruína, e agora está impraticável. 

Tirando a ETAR do Vale de Santarém, que continua a funcionar muito bem, nenhuma alteração se deu na qualidade da água do rio Maior, assim como da que vem da ribeira da zona do Peso, que desagua no rio Maior, na Ponte de Asseca, onde muitas vezes é de mau cheiro e acumula espuma naquela zona. 

Este panorama fica ainda mais agravado quando, de Julho a Setembro, o que sai da fábrica do tomate, de cor vermelha, se transforma em água negra e putrefacta, ao longo do curso do rio, inclusive matando peixes. 

Água poluída no rio Maior, na Ponte de Asseca. 24 Abril 2017.

Água poluída, da ribeira do Peso, na Ponte de Asseca. 24 Abril 2017.
A ponte do Ferreira, no rio Maior-Vala Real de Azambuja, entre
Vale de Santarém e Santana-Cartaxo, que está destruída.

A possibilidade de praticar pesca no rio Maior/vala reduz-se aos períodos pós-cheias, no inverno, e talvez até fins de Abril, por ser maior o caudal e se diluírem um pouco os materiais poluentes.

É uma perda, há muitos anos, de muitos pontos de vista: da Natureza, da prática da pesca, dos concursos de pesca, do lazer, do convívio, da valorização das margens, para as populações ribeirinhas e outros interessados – as regas, com aquela água, não deixarão de ser problemáticas, mas os seareiros não têm outra e precisam de água, para as suas culturas.


Além disso, com a poluição, ficaram de lado outras possibilidades de exploração desse potencial da vala: canoagem, passeios de barco, outras modalidades no rio. Ora, isto que se perdeu, que agora é uma miragem, não pode continuar a ser ignorado. 


Há ainda mantos de jacintos que tapam a água em muitos quilómetros, contribuindo para a eutrofização, e isso é a morte de um curso de água. 

O rio Maior, coberto de jacintos - 24 Abril 2017, zona da Ponte do Ferreira

Não podemos esquecer também que nos combros cresceu imensa vegetação, que impede a passagem em grande parte do percurso, e a possibilidade de usar os combros para certas actividades, como caminhadas, BTT e outras – no futuro, como ecovia, que temos defendido – está cada vez mais posta em causa.

Quanto à ECOVIA, que começámos a propor em 2015, com outras organizações das margens do rio Maior, como já várias vezes referimos, neste nosso blog, trata-se tão só de aproveitar, no traçado desde a nascente do rio, até à sua foz, em Azambuja, as condições que existem, muito propícias, do troço do antigo ramal de Rio Maior, que vai até ao Vale de Santarém, flectindo para os combros da vala, que existem praticamente até Azambuja.


As associações ambientalistas e outras organizações estão conscientes de que será uma mais-valia para a região, do ponto de vista ambiental, na defesa da despoluição do rio e sua manutenção em condições de saúde pública, além das melhores condições para uma utilização adequada em termos agrícolas, económicos e de enorme espaço de lazer e de realizações de natureza. Foi o que deixámos explícito nas nossas publicações, aqui no blog, desde 2015, e cujos links estão aqui:

Iremos fazer este ano a observação rigorosa do rio, na nossa zona, contribuindo para identificar os seus males, para que os possamos comunicar e exigir medidas.

Temos em mente que, durante este ano, algumas das nossas caminhadas sejam nas margens do rio, proporcionando assim um renovado contacto dos praticantes com este importante afluente do Tejo.

A Coordenação,

Alfredo Lobato, Carlos Jorge Calheiros, Carlos Vieira, Francisco Ferreira, Manuel Sá, Pedro Adriano, 
Virgílio Pereira.






23/01/2018

Precisamos de mais guardiões dos nossos rios

Informação, formação e mais cidadania ambiental - mais guardiões dos nossos rios e do Ambiente... ATÉ PORQUE A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA O PREVÊ


A situação de grande poluição por que passam o Tejo e seus afluentes, só para falar nesta bacia hidrográfica, aponta para a necessidade do envolvimento dos cidadãos na observação do estado das águas e na denúncia das anormalidades que se verifiquem, as quais, infelizmente, continuam, pois as entidades, de diversos níveis de responsabilidade, tardam em tomar as medidas necessárias.

Convém recordar, e é muito importante que o tenhamos em conta, que a Constituição da República Portuguesa, aliás desde 1976, tem o reconhecimento da existência de direitos e deveres na área do ambiente. De entre as mesmas normas destacam-se:
“(..)
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efetivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correto ordenamento do território (…)” (Art.º 9 CRP, Tarefas fundamentais do Estado)
1. “Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
2. Para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento sustentável, incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e com o envolvimento e a participação dos cidadãos:
a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas
prejudiciais de erosão;

b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento socioeconómico e a valorização da paisagem;
c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a conservação da natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico;
d) Promover o aproveitamento racional dos recursos naturais,
salvaguardando a sua capacidade de renovação e a estabilidade
ecológica, com respeito pelo princípio da solidariedade entre gerações;

e) Promover, em colaboração com as autarquias locais, a qualidade ambiental das povoações e da vida urbana, designadamente no plano arquitectónico e da proteção das zonas históricas;
f) Promover a integração de objetivos ambientais nas várias políticas de âmbito sectorial;
g) Promover a educação ambiental e o respeito pelos valores do
ambiente;

h) Assegurar que a política fiscal compatibilize desenvolvimento com proteção do ambiente e qualidade de vida.” (Art.º 66.º CRP, Ambiente e qualidade de vida).

Ora, cientes de que estamos a interpretar correctamente o texto fundamental de Direito do Estado Português, do qual toda a legislação depende, e tendo em conta a calamidade que tem grassado nos nossos rios, sobretudo na bacia hidráulica do Tejo (onde se inclui o rio Maior-vala de Asseca ou vala real de Azambuja, que passa pelo Vale de Santarém) não só repetimos a solidariedade activa para com Arlindo Consolado Marques, o conhecido "guardião do Tejo", cuja notável acção de denúncia da poluição no Tejo lhe está a trazer a afronta da exigência de indemnização de 250.000 euros por parte da CELTEJO-ALTRI, 

como vimos apelar aos Amigos que nos seguem, e a todos a quem esta mensagem chegar, para que actuem também como

GUARDIÕES DOS NOSSOS RIOS!

Para isso, abaixo publicamos as orientações do GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, que publicou um panfleto muito oportuno, do qual já fizemos distribuição, e tomámos a liberdade de decompor em 10 partes, tantas quantas as que pudemos identificar no que nos é proposto, no 

GUIA PARA SALVAR RIOS

e que aqui fica ao dispor de todos, para participação voluntária, de cidadania ambiental activa, tal como vem na Constituição da República Portuguesa. É UM DIREITO E UM DEVER DOS CIDADÃOS. 

Cada um de nós tem a possibilidade de participar na defesa dos nossos rios, na defesa da Natureza, NOS TERMOS PREVISTOS NA LEI CONSTITUCIONAL DO NOSSO PAÍS.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.


(O guia consta do seguinte: imagens abaixo).


























  

21/01/2018

SOMOS TODOS ARLINDO MARQUES - CAMPANHA SOLIDÁRIA EM DEFESA DE ARLINDO MARQUES - COMO APOIAR

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém já emitiu
comunicados, aqui no nosso blog, no facebook e por mail, de solidariedade activa para com Arlindo Marques, alvo de perseguição e exigência de indemnização por parte da CELTEJO, empresa do Grupo ALTRI, que é considerada das mais activas e persistentes poluidoras do rio Tejo.


Arlindo Marques é um exemplar cidadão, que tem sido activo na denúncia desta situação, intervindo, no direito que lhe assiste, constitucionalmente, de defender os bens comuns da Natureza, como os rios, que não podem ser destruídos por quaisquer unidades industriais ou outras, que têm direito à sua actividade, sim, mas sem destruírem o meio ambiente e prejudicaram os cidadãos.

Intervimos activamente na solidariedade para com o Arlindo, pois, o que está a passar-se, além de uma afronta praticada pela CELTEJO contra um cidadão, é uma intimidação contra os activistas que lutam contra a poluição do Tejo e afluentes, e a empresa quer continuar o que sempre tem feito. 

Apelamos aos Amigos do Movimento Ecologista do Vale de Santarém, aos Valesantarenos em geral e outros, que tomem parte activa na defesa de Arlindo Marques, pois está em causa não só esta questão concreta, mais imediata, do assédio da CELTEJO ao Arlindo, mas saber se, não fazendo nada ou recuando, vamos continuar a esperar que os rios da bacia hidrográfica do Tejo, muitos deles poluídos, para além do Tejo, como o rio Maior - vala de Asseca, ou vala real de Azambuja, algum dia voltarão a ter águas sem poluição, onde se possa pescar, nadar, ou andar de barco e canoa, onde, nas proximidades, se possa conviver sem maus cheiros e mosquitos perigosos, onde as águas para as regas, de que os seareiros e outros necessitam, têm de ser as águas poluídas dos rios, pois são as que eles agora têm, com riscos para a saúde pública, mas a responsabilidade não é deles.

Por isso, aqui deixamos informação sobre o que fazer para apoiar na solidariedade a favor de Arlindo Consolado Marques.

COMO APOIAR O ARLINDO MARQUES NAS REDES SOCIAIS (facebook, twitter e outros):


  • Publicar um comunicado de apoio num sítio da internet, num blogue ou no facebook (comunicar a ligação do comunicado de apoio ao protejo.movimento@gmail.com)


  • Divulgar, partilhar e convidar amigos para a página do facebook: https://www.facebook.com/somostodosarlindo


  • Divulgar, partilhar e convidar amigos para o evento de angariação de fundos no facebook: https://www.facebook.com/events/174650366639204


  • Divulgar, partilhar e convidar amigos para o site de angariação de fundos: https://ppl.com.pt/causas/somos-todos-arlindo-marques 
  • https://movimentoprotejo.blogspot.pt/…/somos-todos-arlindo-… 

A Coordenação 

Movimento Ecologista do Vale de Santarém

30/12/2017

Movimento Ecologista do Vale de Santarém em solidariedade com Arlindo Consolado Marques, activista ambiental alvo de assédio pela CELTEJO

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém repudia o assédio que está a sofrer Arlindo Consolado Marques, destacado activista na luta contra a poluição na bacia do rio Tejo, membro do proTEJO e seu secretário da mesa do Conselho Deliberativo, assédio praticado pela CELTEJO - Empresa de Celulose do Tejo, S.A., pertencente ao Grupo ALTRI, que se queixa de ofensas à sua credibilidade e bom nome, reclamando por isso o pagamento de uma indemnização de 250 mil euros. 

Arlindo Marques, entre muitos outros cidadãos da região, vem denunciado há anos a CELTEJO, pelas práticas que para todos são evidentes, de contaminação do rio Tejo, intervindo no domínio da defesa da preservação da Natureza, acção que de todos os cidadãos é esperada e desejada, para bem do nosso presente e futuro comum. 

Como tem sido largamente apresentado, existem fortes suspeitas de que a CELTEJO e outras indústrias papeleiras são responsáveis pelos graves episódios de poluição no rio Tejo português, que o Arlindo Marques repetidamente tem denunciado. Mas não tem sido somente Arlindo Marques a falar nestes termos: numerosas figuras públicas e também a Agência Portuguesa do Ambiente o têm feito.

Esta acção vergonhosa contra Arlindo Marques é contra todas as organizações e pessoas que, sem qualquer outro interesse que não o da defesa e preservação de UM TEJO VIVO, SEM POLUIÇÃO, ao nível de Portugal e Espanha, se batem para que o Tejo e seus afluentes não continuem a ser usados, como temos visto, como canos de esgoto de diversas indústrias e outras agressões ao longo da bacia hidrográfica, e no qual a indústria da pasta para papel é tida como garantindo uma grande quota-parte dessa nefasta acção, em Portugal.

Os cidadãos que em Espanha e Portugal se preocupam, crescentemente, com o estado de morte a que estão a chegar os rios desta bacia hidrográfica, não defendem o encerramento de tais indústrias, mas sim que, existindo, funcionem com respeito pelas normas ambientais, ou seja, sem destruírem a Natureza, sem poluírem as águas, sem matarem os peixes e tudo em redor.

Não se trata de algo criminoso o que Arlindo Consolado Marques e muitos outros milhares de cidadãos têm defendido publicamente, antes pelo contrário – a defesa da Natureza, a denúncia das situações de poluição dos rios, dos solos e do ar é um direito e um dever de qualquer cidadão, contra a destruição do meio ambiente em que vivemos, e é mesmo um direito constitucional.

Estranhamos, não compreendemos e não aceitamos que as autoridades da Tutela demorem a intervir, como é seu dever, no ataque a esta situação. Não só a Agência Portuguesa para o Ambiente - como outras instâncias do poder com intervenção neste domínio - têm conhecimento concreto da situação, há muito. Inclusive, o próprio Ministro do Ambiente está informado sobre o que se passa. 

A reiterada ausência de medidas, que, em concreto, fecha os olhos à situação de poluição que tem vindo a acontecer, há anos, acaba por autorizar as empresas poluidoras a permanecerem nas suas práticas criminosas, permitindo até, como é agora o caso da CELTEJO, avançar com a acção de assédio sobre um cidadão que tem cumprido, ele sim, como outros, o seu papel consciente e activo de defensor da saúde e equilíbrio ambiental, na região.

Arlindo Consolado Marques é um cidadão exemplar, cuja acção corajosa e altamente meritória se tem centrado nesse objectivo de denunciar a poluição evidente, confirmada, do rio Tejo e não pode, por uma actividade que é valiosa, indispensável e louvável, vir a sofrer a perseguição seja de quem for, devido ao desempenho de cidadania, constitucional, que muito bem exerce e a que tem direito, pela defesa do bem comum da zona ribeirinha do rio Tejo, onde também vive.

Pelo contrário, a CELTEJO, ao fazer de bode expiatório o cidadão Arlindo Marques, ao mesmo tempo que não interpôs acções judiciais contra políticos, deputados e outras figuras públicas que também denunciaram a sua acção poluidora, demonstra ser uma organização sem princípios humanistas e sem honestidade em termos de cidadania empresarial, para com a comunidade onde se insere e para com o País, procurando iludir, na identificação de um só cidadão, a afirmada e continuada denúncia de práticas de poluição que têm sido referenciadas por muitos e diversos actores, a muitos níveis.

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém solidariza-se com Arlindo Consolado Marques e, a par com outras organizações e pessoas, compromete-se a tomar todas as diligências possíveis para que não seja condenado por exercer a sua cidadania e para que a acção interposta pela Celtejo seja, antes, uma oportunidade para esclarecer as responsabilidades pela poluição do rio Tejo. 

Estamos contigo, firmemente, companheiro ARLINDO CONSOLADO MARQUES. Enaltecemos o teu valoroso exemplo. Estamos ao teu lado e continuamos a lutar pelas causas que nos são comuns, de defesa da preservação do Tejo e seus afluentes, contra o crime da poluição que, há décadas, e sobretudo nos últimos anos, vem destruindo a vida na nossa bacia hidrográfica, e onde a CELTEJO é referida, sistematicamente, como uma das principais responsáveis.

SOMOS TODOS ARLINDO MARQUES!!!

Pelo Movimento Ecologista do Vale de Santarém

A Coordenação.

30 Dez 2017

19/12/2017

Roundup e Glifosato - um enorme perigo para a saúde pública, que pode provocar o cancro.




"Portugal é o país europeu que mais usa herbicida que pode provocar cancro", segundo foi publicado pela TSF, que diz:


Estudos detetam elevados níveis de glifosato no solo e na urina dos portugueses. Associações ambientalistas e agrícolas pedem posição clara do governo em votação europeia.

No mesmo artigo, que copiamos, diz-se:

Onze associações ambientalistas e agrícolas portuguesas exigem ao governo que se junte esta quinta-feira aos países que vão votar contra a proposta da Comissão Europeia para prolongar por cinco anos a licença de utilização do glifosato, um herbicida classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como provável causador de cancro nos humanos.
O apelo é assinado por organizações como a Quercus, Confederação Nacional da Agricultura ou Liga para a Proteção da Natureza juntas na Plataforma Transgénicos Fora, mas o Ministério da Agricultura, contactado pela TSF, opta por guardar o anúncio da posição portuguesa apenas para o momento da votação, depois de no passado se ter abstido numa votação semelhante.
Se não for alargada, a licença de uso do glifosato na Europa acaba a 15 de dezembro.
Indicadores preocupantes
Entre os vários argumentos apresentados, os ambientalistas dizem que Portugal é o país europeu onde mais se usa o glifosato e apresentam um estudo acabado de publicar por uma equipa internacional de investigadores na revista académica "Science of the Total Environment" que encontrou níveis elevadíssimos de glifosato nas amostras recolhidas em solos agrícolas portugueses, nomeadamente em vinhas da zona Centro na Bairrada.
A TSF falou com uma das portuguesas envolvidas neste estudo, Vera Silva, investigadora na universidade holandesa Wageningen, que confirma que os resultados das 17 amostras recolhidas em solo nacional são um indicador preocupante: 53% tinham o herbicida, muito mais que o segundo país mais contaminado (30% em França), tendo também as maiores quantidades de glifosato no solo

Apesar de não representar o todo dos solos portugueses, Vera Silva argumenta que estes dados nacionais, nunca antes avaliados, são um indicador do que pode estar a acontecer noutras zonas do país, numa opinião partilhada pelas 11 associações da Plataforma Transgénicos Fora.
Glifosato na urina
Em nome da Plataforma Transgénicos Fora, a ambientalista Margarida Silva lamenta a falta de estudos oficiais do Estado sobre o glifosato em Portugal e defende que os dados do trabalho recente sobre os solos "estão alinhados com os valores conhecidos de contaminação humana", sublinhando que em 2016 um levantamento que fizeram mostrou níveis inesperadamente elevados deste herbicida na urina de todos os voluntários testados, com os portugueses a apresentaram, em média, vinte vezes mais glifosato que os alemães.
As associações defendem que "enquanto o Ministério da Agricultura não souber explicar como é que Portugal ficou tão contaminado por glifosato e não implementar medidas que reduzam drasticamente este problema, é impensável permitir que a utilização generalizada na agricultura, nas ruas e até para fins domésticos possa continuar", recordando que a OMS já provou que o glifosato causa cancro em animais de laboratório.
Recorde-se que, apesar da posição destas associações ambientalistas e agrícolas, o uso de glifosato está proibido em locais públicos desde o início do ano em Portugal, numa medida promovida pelo atual governo.
Entretanto, na RTP 1, em 18 Dez. 2017, passou um programa sobre o ROUNDUP. Um programa que muito diz acerca da utilização deste herbicida em várias regiões do Mundo, e das trágicas consequências da sua utilização.
Infelizmente, pela UNIÃO EUROPEIA, foi aprovada, em Novembro de 2017por mais cinco anos,  a licença de uso do ROUNDUP no espaço comunitário. 
Associações ambientalistas querem agora levar a cabo acções legais contra as entidades envolvidas, nomeadamente contra a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e o Instituto Federal Alemão para a Avaliação de Riscos (BfR).
A organização austríaca Global 2000 e a Rede de Acção contra os Pesticidas (PAN, na sigla em inglês), de cariz internacional, disseram que há reclamações legais em Viena e Berlim e que vão seguir-se processos legais em França e Itália. Não é claro quanto tempo demorará para que os processos tenham seguimento, em particular porque um dos órgãos em causa é pan-europeu e o outro é nacional, o que significa que poderão passar por diferentes tribunais.
Uma coisa é certa: as consequências drásticas do ROUNDUP estão provadas. Cabe aos cidadãos e aos seus governantes lutar contra esta terrível situação.
A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém