30/08/2017

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém foi fundado há quatro anos

O MOVIMENTO ECOLOGISTA DO VALE DE SANTARÉM foi fundado em 30 de Ago 2013. Quatro anos de actividade, a procurar contribuir para a defesa da Natureza, contra a poluição das águas, dos solos, do ar, na zona do Vale de Santarém, contribuindo também, no mesmo sentido, na bacia hidrográfica do Tejo. 

Quatro anos: ainda muito pouco tempo de vida. Para continuar, na mesma missão. Isto é o que nós dizemos, porém são sempre outros (os habitantes do Vale de Santarém e zonas envolventes) que têm possibilidade de dizer se valeu a pena, até agora, a acção que temos desenvolvido e que, para nós, é uma missão de todos os dias. Aqui deixamos o link para o que dissemos, na altura da nossa fundação, sobre os nossos propósitos:

http://movecologsita.blogspot.pt/2013/12/criacao-do-movimento-ecologista-vale-de.html

Saudações ecologistas para os valesantarenos e outros amigos, assim como para todas as organizações ecologistas, em especial as da zona do rio Maior/vala de Azambuja e do rio Tejo e seus afluentes.

A Coordenação

20/08/2017

PINHEIRO DAS AREIAS - MEMORANDO APRESENTADO AO ICNF - INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E FLORESTAS

Após o acidente sofrido pelo Pinheiro das Areias, provocado pelo temporal da madrugada de 26 Fev. 2016, e apesar das promessas feitas, nenhuma medida foi tomada para recuperar, dentro do possível, e preservar a histórica árvore do Vale de Santarém. Por tais razões, o Movimento Ecologista do Vale de Santarém entregou ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, em mão, o seguinte documento.

MEMORANDO SOBRE A SITUAÇÃO

DO PINHEIRO DAS AREIAS


I - BREVE REFERÊNCIA HISTÓRICA E CULTURAL SOBRE O PINHEIRO DAS AREIAS

A população do Vale de Santarém, ao longo das épocas, foi-lhe dando o nome de “Pinheiro das Areias”, designação que lhe ficou para sempre, associada ao facto de se tratar de uma árvore de grande envergadura, que foi crescendo de modo invulgar naquele local, em solo areento, certamente de pinhal outrora e que, tendo ficado sem concorrência de outros pinheiros durante muitos anos, veio a ganhar a notoriedade pelo seu muito largo tronco de base (cerca de 8 metros, atualmente) e pela sua copa, de grande envergadura e área que ocupa.

Pela sua notável particularidade, ainda por cima situado num local elevado em relação a muitos pontos da povoação, o Pinheiro e a zona que ele ocupa foram ganhando, ao longo dos anos, um lugar destacado nos sentimentos da população da terra, vindo a ser crescentemente preferido para actos comunitários, populares, como: lugar permanente de brincadeiras de crianças, passeios de namorados, festas de casamentos e outros festejos. Também foi sendo um local preferido por grupos da etnia cigana que, chegando ao Vale de Santarém, se habituaram a encontrar ali um local seguro para as suas permanências na terra, enquanto não partiam para outros lugares. Assim, do ponto de vista social, comunitário, o pinheiro e o seu chão, passaram a ter, no povo do Vale de Santarém, um lugar especial, como elemento de identificação, na dupla asserção: o nosso pinheiro/o pinheiro do Vale.
Na verdade, o pinheiro sempre teve um dono, pois situa-se em propriedade privada e, embora sobre isso não existam dúvidas na população, ele é visto e sentido como pertença da população, obviamente só pela razão de que, devido à ligação histórica, sentimental, àquela árvore excepcional, todos acabam por dizer “o nosso pinheiro das areias”. E, é de tal modo forte, concreta, essa identificação sentimental e histórica, que, aquando da escolha dos símbolos representativos da nossa terra, para figurarem no brasão da vila, o “pinheiro das areias” foi um dos elementos escolhidos, e assim ficou consignado.

Note-se, ainda, que o pinheiro, por proposta apresentada pela Junta de Freguesia da altura, foi em 1992 classificado de “interesse público”, conforme publicado no Diário da República n.º 17, II Série de 21.05.92. Pelas observações que terão sido feitas, o pinheiro teria, então, cerca de 350 anos, embora nada de peremptório tenha sido dito a este respeito. De então para cá, consignada essa classificação formal, que implica certas consequências ao nível do acompanhamento e gestão da vida de uma árvore com tal classificação, por parte das entidades oficiais a quem tal compete, a população do Vale de Santarém, assim como o proprietário do terreno e do pinheiro em causa, passaram a ter razões suficientes para se sentirem ainda mais regozijados com tal estatuto para a sua árvore, desejando naturalmente que a classificação de que foi objecto fosse facilitadora dos cuidados de que já então necessitava.



II – A SITUAÇÃO PRECÁRIA DO PINHEIRO DAS AREIAS, AO LONGO DOS ANOS E, EM ESPECIAL, NAS ÚLTIMAS DÉCADAS.

Das informações que conseguimos obter, ressalta a de 1947, numa crónica de Augusto Oliveira d’Almeida, no jornal Correio do Ribatejo, que, no que respeita ao Pinheiro das Areias, diz o seguinte (ortografia da época):
 “Não quero terminar esta ligeira crónica, rabiscada à sombra do velho «pinheiro das areias», sem lembrar aos meus conterrâneos a conservação daquela secular árvore, que deve ser, se ainda o não foi, considerada de interesse público. A-pesar-de ter sido mutilado pelo ciclone de 1941, o velho pinheiro das areias é uma das árvores mais lindas do país, na sua espécie. Já resistiu a numerosas crises de falta de combustível e eu acho que praticaria um imperdoável acto de vandalismo quem o mandasse destruir. Até a nómada raça de ciganos condenaria um tal acto. É que aquele velho pinheiro foi sempre a pousada mais cómoda e económica que as várias tribus de ciganos encontraram na sua passagem por esta povoação. Ainda eu era «menino e moço» e já os ciganos se acoitavam sob a copa daquela frondosa árvore. Ali faziam êles as suas festas pantagruélicas, manducando a carne de algum suíno que morria por doença e cujo dono mandava enterrar nas areias mais próximas… A garotada da aldeia assistia àquelas festas com grande interesse e notava que os ciganos nunca adoeciam por ter comido carne morrinhosa… Bons tempos de outr’ora !…
Vale de Santarém, Julho de 1947
Augusto Oliveira d’ Almeida”.

Portanto, pelo menos em 1941, e por acção do ciclone ocorrido nesse ano, o “pinheiro das areias” havia sofrido uma mutilação, da qual não sabemos pormenores, ainda. Do que aconteceu antes dessa data, nada conseguimos apurar.

No entanto, pelo que a população da nossa terra veio notando posteriormente, e, sobretudo após o 25 de Abril de 1974, por acção da Junta de Freguesia, começou a ser entendido que o “pinheiro das areias” começava a evidenciar necessidades de protecção e preservação, pois as enormes pernadas, com o peso, começavam a inclinar-se para o solo e, também, com a perda de areias em seu redor, as raízes, projectando-se para longe, acabavam por ir ficando descobertas.

Perante tal situação, a Assembleia de Freguesia do Vale de Santarém veio a aprovar em 2012, por unanimidade, uma moção, que foi entregue à Câmara Municipal de Santarém, no sentido de que fossem tomadas medidas perante a situação em que se encontrava a árvore, considerada “património de elevadíssimo valor ecológico, paisagístico, cultural e histórico”.

Não tendo havido qualquer evolução depois desse acto, o Movimento Ecologista do Vale de Santarém, criado em Agosto de 2013, viria a retomar o assunto, através de diversas publicações, a que se sucedeu um abaixo-assinado e uma petição pública, em Março de 2015, que colheram, no conjunto, mais de 700 assinaturas. Estes documentos foram entregues à Junta de Freguesia do Vale de Santarém, que informou tê-los feito seguir para a Câmara Municipal e para o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.



Entretanto, em Fevereiro de 2016, por acção de um vendaval, o “pinheiro das areias” veio a perder uma das suas enormes pernadas. Alertadas as autoridades, a pernada, no solo, foi cortada e retirada do local, mas nada foi feito para a preservação do pinheiro, quanto ao que restou da pernada que quebrou, a qual ficou exposta aos elementos da natureza.

Em face de tal situação, e através de contacto directo, pessoal, com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, no CNEMA – Santarém, ficámos a saber, posteriormente, que estava a ser equacionada uma intervenção, com vista à protecção da parte exposta, em data a anunciar. Mas nada foi feito nesse sentido.

III – QUE FUTURO PARA O PINHEIRO DAS AREIAS, SÍMBOLO HISTÓRICO E SENTIMANTAL DA POPULAÇÃO DO VALE DE SANTARÉM?
Em face do que antecede, e conscientes de que interpretamos o sentimento generalizado da população do Vale de Santarém sobre o assunto, e tendo ainda em conta a classificação oficial desta notável árvore, como exemplar de “interesse público”, que lhe foi atribuída, manifestamo-nos preocupados com o arrastamento de medidas concretas. Em rigor, nada foi feito, até hoje, apesar das chamadas de atenção e das posições públicas tomadas por centenas de habitantes da nossa terra, que de modo regular lamentam o abandono em que o assunto tem sido deixado, além das iniciativas da própria Junta de Freguesia.

Parece-nos que algo importa fazer, quanto antes, de modo a que o pinheiro tenha ainda alguma continuação de vida com a dignidade de símbolo da comunidade do Vale de Santarém, que lhe dedica, há muitas gerações, um carinho muito especial, pelas razões entendíveis que referimos. E, não esqueçamos: é uma árvore classificada “de interesse público”.

É nesse sentido que elaboramos este Memorando, o qual vai ser entregue a quem entendermos poder ajudar a contribuir para a sua resolução: que é necessária; que é urgente; que é de toda a justiça. Um símbolo da natureza, um referencial da nossa terra, como é o Pinheiro das Areias, não pode ser esquecido, ainda mais quando passa por dificuldades. Tem direito aos cuidados que a Lei para ele prevê; tem ainda muitos anos de vida pela frente, para continuar a ser o símbolo vivo da nossa vila, um símbolo da Natureza, que queremos preservar. Nesse sentido, aliás, temos levado até ao pinheiro as crianças de escolas da terra, assim como centenas de habitantes, participantes em caminhadas, com passagem por um dos símbolos, este ainda vivo, da nossa terra.

Por isso, agradecemos muito, desde já, o interesse que o assunto possa receber, e ficamos disponíveis para o que for entendido.
A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém
4 Maio 2017

Alfredo Lobato – Carlos Jorge Calheiros – Carlos Vieira – Francisco Ferreira – Manuel João Sá – Nuno Pisco – Pedro Adriano – Virgílio Pereira.


(Em Anexo: Fotos)
Pinheiro das Areias, antes do vendaval de 26 Fev 2016.
Vale de Santarém.

Pinheiro das Areias, após o vendaval de 26 Fev. 2016.
Vale de Santarém.


14 OUTUBRO, EM LISBOA - MANIFESTAÇÃO CONTRA POLUIÇÃO DO TEJO E SEUS AFLUENTES

14 OUTUBRO - 15 HORAS - pelas 15 horas, junto ao Ministério do Ambiente em Lisboa na Rua de “O Século”, nº 51 -1200-433 Lisboa (38.712472, -9.147583).

Continua gravíssima a situação no rio Tejo e seus afluentes. 

Poluição permanente, muito reduzidos caudais, outras malfeitorias. 

O rio Tejo é hoje um pré-cadáver. Os seus afluentes (a maioria) são esgotos a céu aberto, devido às descargas de fábricas, suinicultoras, esgotos urbanos. Uma situação vergonhosa. 

As denúncias e as evidências (confirmadas por técnicos, especialistas, cidadãos) não têm levado os governantes e as autoridades a tomarem medidas. Por isso, o proTEJO, movimento abrangente no qual nos incluímos, vai realizar nova manifestação. Será em Lisboa, dia 14 Outubro. LÁ ESTAREMOS. E apelamos a que haja grande participação - também de Lisboetas e outros, dos arredores, pois claro, que TEJO POLUÍDO É UMA DESGRAÇA PARA TODOS.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.

1. Um dos pontos de poluição do rio Maior, afluente do Tejo.
É em S. João da Ribeira, onde a fábrica TOMATAGRO, de Julho a
Setembro, lança grande poluição no rio, há anos.

2. Um dos pontos de poluição do rio Maior, afluente do Tejo. 
É em S. João da Ribeira, onde a fábrica TOMATAGRO, de Julho a 
Setembro, lança grande poluição no rio, há anos.


05/05/2017

VAMOS LIMPAR O "RIO DA QUINTA", NO VALE DE SANTARÉM

"RIO DA QUINTA", NO VALE DE SANTARÉM. O QUE É?

No Vale de Santarém, mesmo para os mais novos, a esta pergunta todos sabem dar uma resposta. Pelo menos, sabem dizer onde fica. O chamado "rio da quinta", designação que lhe foi sendo dada pelo povo e que ficou até hoje, é o local que fica junto à antiga Quinta do Desembargador, mais conhecida por Quinta das Rebellas, e onde muitas mulheres do Vale iam lavar roupa, usando para isso, além do sabão azul e branco, ou outro, também, por vezes, o cloreto. A roupa, depois de ensaboada, esfregada e batida contra a "pedra de lavar", talvez novamente ensaboada, esfregada e batida na mesma pedra (uma pedra de calcário, normalmente "arranjada", isto é, obtida, pelo marido) ia a enxugar, ali ao pé, ou era levada para casa, em alguidares, de barro esmaltado, mais tarde de zinco, ou já de plástico, para ser estendida a secar, nos quintais. 

Ora, este local por onde passa um ribeiro, o "rio da quinta", era um dos que mais mulheres usavam, ao longo do ano, para lavarem a roupa. Não só era local para aquela função, mas acessoriamente satisfazia outra necessidade: a do contacto entre as mulheres, juntando-as em conversas da sua vida, da vida da aldeia, inclusive proporcionando o diz-se diz-se próprio do viver em comunidade. 

Este rio que atravessa o Vale de Santarém, tem sido, ao longo de gerações, uma verdadeira riqueza para a terra. Na verdade, muito, muito antes de o Vale de Santarém existir, como povoado, ainda com outros nomes ("Vale de Soeiro Tição" foi um desses nomes) já o Vale era atravessado por muitas águas, que se juntavam no que viria a ser aquilo a que nós chamamos "rio", mas que, em verdade, é um ribeiro. Nasce a oeste do Vale, atravessa toda a vila, até desaguar no rio Maior, ou vala de Azambuja, também chamada de Asseca, ou seja, o rio Maior. 

Pois o nosso rio (que em diversos locais recebe nomes próprios - rio de cima, das patas, da quinta, dos loureiros, da praça ou da eloia, da cabine, da Mari Elvira, do Lima, das Guiomares... etc.,) é um fantástico património natural, histórico e cultural da nossa terra, desde tempos remotos: para a agricultura (nas hortas e não só) para as regas, para pesca da enguia (sobretudo) para abastecimento de água, para os patos nadarem, para a lavagem da roupa, para preparar os tremoços (o sr. João dos tremoços assim fazia) para as brincadeiras das crianças, para as azenhas-moinhos de água (ali existiram nove, nove moinhos...) fazerem o seu trabalho, para as crianças nadarem, para os valesantarenos repousarem nas suas margens, ou nelas conviverem e festejarem e... provavelmente outros benefícios que dele foram extraídos, e que agora não nos ocorrem.

LIMPAR E RECUPERAR O RIO DA QUINTA: POR QUÊ E PARA QUÊ?


O Movimento Ecologista do Vale de Santarém, continuando a defender a recuperação e boa manutenção do legado natural, histórico e cultural da nossa terra, colocou no seu plano de actividades, para 2017, o início da recuperação de antigos locais onde as mulheres do Vale lavavam a roupa. Esta iniciativa, proposta à junta de Freguesia e bem acolhida, vai acontecer, no terreno, logo que a Junta tenha o equipamento (nomeadamente uma máquina apropriada) para realizar esse trabalho, que vai começar pelo lugar do "rio da quinta". Trata-se de um local emblemático, cuja situação actual é de grande degradação, onde há uma proliferação de arbustos e árvores, à mistura com lixo, que dão ao espaço um aspecto desagradável, o completo oposto do que foi.

Desta iniciativa já foi dado conhecimento no início da caminhada que realizámos no dia 25 de Abril.

E que vamos fazer? Vai ser feita a limpeza, caiada a parede, recuperado o espaço em tempos destinado à lavagem de roupa, além de outras melhorias, de modo a que ali fique um 1º exemplo, para manter e consolidar, da recuperação desses locais. Será um contributo para uma mudança de imagem, para nós e os que nos visitam, dos cuidados que gostamos de ter, como habitantes, para que o Vale de Santarém continue a ser, também nos nossos tempos, a "pátria de rouxinóis e madressilvas" que Garrett imortalizou. E, assim, mais um contributo para que o Vale de Santarém seja um local bom para viver.

QUANDO VAI ACONTECER ESTA EMPREITADA?


O trabalho, a anunciar com tempo, está dependente da obtenção das condições que a Junta de Freguesia precisa para o efeito. Em princípio, será suficiente um fim de semana, desde que o plano para o trabalho esteja devidamente esquematizado, e assim vai ser. Serão necessárias colaborações e, os que estiverem interessados em participar, serão chamados a fazer inscrição para o efeito.

Assim, aqui fica a informação, desde já sugerindo uma ampla participação neste objectivo, que, afinal, interessa a todos os valesantarenos. Oxalá assim seja, para esta 1ª vez, no "rio da quinta", mas outros locais se seguirão.

Fotos abaixo, do "rio da Quinta" - uma de há décadas, e outra mais recente.

Vale de Santarém - Local chamado de "rio da quinta", junto às ruínas da
Quinta das Rebellas, no leito do ribeiro que,nascendo a oeste do Vale,
atravessa toda a vila e vai desaguar na vala, ou rio Maior, afluente do Tejo.
Nesta foto, com algumas dezenas de anos, lavadeiras do Vale de Santarém
e de um rancho de trabalhadoras sazonais, que vieram para o Vale.
Publicação em 5 Maio 2017.

Vale de Santarém - Local chamado de "rio da quinta", junto às ruínas da
Quinta das Rebellas, no leito do ribeiro que, nascendo a oeste do Vale,
atravessa a vila e vai desaguar na vala, 
ou rio Maior, afluente do Tejo.
Esta foto é de 2015. Neste local as mulheres do Vale lavavam a roupa.
O local, que agora se vai limpar e recuperar, tem estado em degradação.
Publicação em 5 Maio 2017.







30/04/2017

Oitenta participantes na caminhada de 25 de Abril: pela saúde, pelo convívio, e também pela defesa da natureza, por novos caminhos em redor do Vale de Santarém

Foi uma caminhada muito participada, com muito bom ambiente. E também vimos o que alguns, infelizmente, continuam a fazer de mal aos outros, à nossa terra e à natureza. 

Inserida nas comemorações dos 43 anos do 25 de Abril de 1974, patrocinadas pela Junta de Freguesia do Vale de Santarém, podemos dizer que esta foi mais uma caminhada muito bem sucedida, pois, além do grande número de participantes - exactamente oitenta - estiveram pessoas de todas as idades, como os vídeos mostram, num ambiente de muita entrega e são convívio.

Saímos do jardim público pouco depois das 9 horas, e dirigimo-nos depois ao Rio das Patas, flectindo para a Rua das Paponas e continuámos até à pequena lagoa de Arbila, um local muito pouco conhecido da generalidade dos caminheiros. Foi aí que se fez o reabastecimento, sensivelmente a meio do percurso que, na totalidade, foi de pouco mais de 10 km. É, junto à lagoa de Arbila, que está um marco histórico: ali se encontram quatro freguesias: Almoster, Póvoa da Isenta, Vila Chã de Ourique e Vale de Santarém. Quem quiser, e souber lá ir, verá que, no marco, estão bem vincadas as "orientações" das quatro freguesias.

Foi aqui também, junto à lagoa, que vimos passar os participantes numa prova de atletismo dos nossos vizinhos da Póvoa da Isenta, acompanhados por alguns praticantes de BTT. Oportunidade também para vermos, mesmo na lagoa, os atentados que alguns continuam a praticar: não só descargas de materiais de obras e restos de recheio de casas, como também recipientes de produtos para tratamento de vinhos, aliás produtos tóxicos, conforme se lê nos próprios invólucros encontrados. 

Infelizmente, ao longo do resto do trajecto, surgiram outras situações deste tipo. Um mal que continua, a revelar que a educação em geral, e a educação ambiental, em particular, continuam a afectar muita gente, ainda. Isto porque, como se sabe, há formas de resolver estas situações e, se as pessoas não sabem, basta perguntarem na sua Junta de Freguesia. Atirarem para a beira das estradas, ou em qualquer carreiro, o que já não lhes interessa ter nas suas casas, é deitar para a casa de todos nós - a natureza - aquilo que, sabemos, pode ter outro destino, inclusive com algum préstimo posterior. Portanto, há que mudar tais comportamentos, começando por aqueles que são os seus autores, obviamente.

Apesar desses aspectos menos positivos do que observámos (e que são um ensinamento para todos os participantes, para o que não se deve fazer...) a caminhada prosseguiu em bom andamento, pela estrada do Bairro Falcão, na extrema com Vila Chã de Ourique, com uma segunda paragem para o sorteio que havíamos prometido. Tirados à sorte dois números, vieram a ser contempladas: Diana Amaro, uma menina, e Ana Timóteo, adulta. Cada uma recebeu uma camisola, com uma estampagem de lindos motivos do Vale de Santarém, oferta do Movimento Ecologista. Depois, foi o regresso, desde os Marecos, pela longa e conhecida descida até ao sítio do Moinho de Cima, e, dai, atravessando de novo o Rio das Patas, ao Jardim Público, onde terminámos.

A caminhada demorou um pouco mais do que o previsto. Ainda assim, com o prazer de terem participado, foram muitos os que perguntaram quando haverá outra, ao que informámos: em Outubro, com certeza, se não for antes, mas saber-se-à em devido tempo. 

Foi mais uma vez muito agradável, para nós, Movimento Ecologista, contar com tantos participantes, numa acção que deu a ver mais um pouco da envolvente da nossa terra, num dia de sol, com os campos cheios de flores e perfumes intensos desta época do ano. E foi muito positivo, também, mais uma vez, contarmos com a presença de pessoas na casa dos setenta e muitos, assim como de crianças e jovens. Muitos pela primeira vez, afirmando quererem continuar. Assim seja!

É justo referir o nosso agradecimento ao Grupo de Dadores de Sangue do Vale de Santarém, pela cedência de garrafas de água, muito úteis em dia de algum calor, assim como a colaboração da Enfermeira Célia Oliveira, que mais uma vez compareceu, participando na caminhada e estando disponível para alguma situação que carecesse da sua especialização.

Mais uma referência importante: ao trabalho de fotos, vídeos e respectiva montagem, por parte de Leonel Murta, que nos permite partilhar aqui, como já fizemos no facebook.

Uma última referência para a condução da caminhada, por parte da coordenação do Movimento, que esteve a cargo de Alfredo Lobato, Francisco Ferreira, Nuno Pisco e Virgílio Pereira, com Manuel Sá no apoio com viatura.

No final, fica-nos o prazer desta realização, e pela afirmação dos ideais que a nortearam: a prática de exercício físico em ambiente de natureza, o contributo para a saúde, o convívio, o conhecimento dos arredores (limites) da nossa freguesia e a defesa de práticas correctas para o meio ambiente. Tudo isto numa data histórica, de muito significado, para nossa atitude de cidadãos livres e independentes: o 25 de Abril.

Quanto aos dois vídeos, ficam abaixo os links respectivos.

Com saudações ecologistas

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém

Alfredo Lobato - Carlos Jorge Calheiros - Carlos Vieira - Francisco Ferreira - Manuel João Sá - Nuno Pisco - Pedro Adriano - Virgílio Pereira. 

Vídeo de Leonel Murta


Vídeo do Movimento Ecologista do Vale de Santarém



19/04/2017

Nós e as comemorações do 25 de Abril

O Movimento Ecologista do Vale de Santarém é uma daquelas organizações cuja existência só foi possível porque houve uma mudança política, de grande significado, em Portugal, no dia 25 de Abril de 1974. Mas, muitas outras organizações (e tanta, tanta "coisa" mais, de natureza positiva) só aconteceram porque houve o 25 de Abril. 

Por exemplo, podermos falar, livremente, sobre o nosso país, sobre as suas instituições, os seus poderes, podermo-nos candidatar, podermos eleger e sermos eleitos para os órgãos de poder democrático, como as assembleias de freguesia, de concelho, da República... podermo-nos associar em organizações políticas, sindicais, de cidadania, como o nosso Movimento, sem medos, sem repressão, sem polícia política, como a PIDE, e outros órgãos associados, como a Legião, podendo-nos assumir em diversos domínios, mesmo que erremos, mesmo que a nossa escolha, mais tarde, para nós, se revele ter sido a menos acertada... 

Por isso, o 25 de Abril não é só uma data, para uma festa. É muito mais do que isso. Foi o dia do início do fim de um tempo negro e triste do nosso País, um ponto de partida para um Portugal, novo, muito diferente para melhor, o qual foi conseguido, mesmo com dificuldades, mas com um saldo que nada tem a ver com o passado: falta de liberdade, repressão, atraso, fome, guerra colonial. 

Quem viveu isso e o esquece, e também alguns que não viveram esse tempo, aparecem por vezes a suspirar pelo retorno a esse passado. Ora, temos de dizer, abertamente, que, pela nossa parte, Movimento Ecologista do Vale de Santarém que, independentemente da orientação política e/ou filiação partidária de quem quer que seja, que respeitamos (o nosso Movimento não tem, nem terá qualquer orientação político-partidária ou confessional) o nosso lado é este: o da perspectiva e prática de liberdade, da cidadania pela defesa e preservação do Meio Ambiente, contra todas as práticas que isso contrariem e, obviamente, comungando inteira e activamente pelos ideais de LIBERDADE POLÍTICA, DE CIDADANIA ACTIVA e de PAZ, que o 25 de Abril permitiu fazer nascer e desenvolver.

Por isso, estamos nas Comemorações do 25 de Abril, promovidas pela Junta de Freguesia do Vale de Santarém, não só porque é/também deve ser UM DIA DE FESTA, mas porque integramos em nós e defendemos esses ideais na nossa própria acção, e assim queremos continuar.


A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém.



18/04/2017

No dia 25 de Abril, caminhada no Vale de Santarém

Mais uma vez, no âmbito das comemorações do 25 de Abril, promovidas pela Junta de Freguesia, com diversas realizações a cargo das associações e colectividades, vamos caminhar por zonas da nossa terra que são pouco conhecidas. 

Queremos aliar a descoberta dessas zonas, que marcam os limites com outras freguesias, ao prazer de caminhar em ambiente de natureza, proporcionando assim o convívio saudável, o conhecimento de ervas, flores, plantas e árvores, e a consciência da necessidade de todos contribuirmos para a preservação e defesa do meio ambiente.

As inscrições estão abertas, podendo ser feitas conforme se diz no cartaz abaixo.



A caminhada sairá às 9 horas do Jardim Público, seguindo pelo Rio das Patas, Rua das Paponas, até à Lagoa de Arbila, nas proximidades da qual se fará paragem para reabastecimento. Depois segue-se até aos Marecos, retornando pelo Moinho de Cima, Fábrica das Tripas e regresso ao Jardim.

Será de cerca de 8 km, e terá a duração aproximada de duas horas e meia.

Agradecemos que as inscrições sejam feitas antecipadamente, pois temos de saber com quantas pessoas contamos, para o seguinte: seguro e reabastecimento.

As inscrições não são pagas.

Haverá um sorteio, de dois artigos surpresa, no reabastecimento. Um desses artigos é para criança até 11 anos, outro é para adulto.

Desta vez não temos almoço. Quem quiser poderá inscrever-se para o almoço que outras colectividades têm previsto realizar nesse dia.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém