28/10/2014

80 PARTICIPANTES NA CAMINHADA DE 25 DE OUTUBRO, NO VALE DE SANTARÉM

O NÚMERO DE PARTICIPANTES NA CAMINHADA FOI O DOBRO DO ANO PASSADO

Ainda não eram nove da manhã e já muitos haviam chegado ao Jardim Público, para a caminhada organizada pelo Grupo de Dadores Benévolos de Sangue e pelo Movimento Ecologista, duas associações do Vale de Santarém que, recentemente, começaram a trocar ideias sobre acções envolvendo pontos comuns das suas actividades.

ANTES DA PARTIDA





A defesa da vida das pessoas, através da dádiva de sangue, onde o Grupo de Dadores tem uma história de muitos anos e de grande relevo na nossa terra, alia-se à defesa da natureza, do ambiente, afinal a defesa do planeta, uma urgência que se impõe há décadas, que é imperioso manter e reforçar e que, no Vale de Santarém, o Movimento Ecologista assume e propõe aos Vale-Santarenos.



Convidar os cidadãos a tomar parte numa jornada em ambiente de natureza, promovendo o exercício físico, o equilíbrio psicológico, a convivência, o sentimento de partilha e, por outro lado, ajudar a ver o que, afinal, bem perto de cada um, nos campos, nos ribeiros e rios anda a ser feito de mal contra a nossa vida, foi o objectivo que as duas associações quiseram atingir com esta caminhada.




De modo que, feita a contagem das presenças e olhando para o grupo que se juntou, desde logo foi possível concluir que havia muito mais participantes do que no ano passado e, também, que havia caminheiros de todas as idades – desde bebés de colo e carrinho até pessoas bem para cima dos setenta. E foi pouco depois das 9 e meia que nos pusemos a caminho, subindo a Rua Manuel Silva Sá e virando depois para a direita para a estrada de macadame que segue para a guarita, porém, antes disso, cortámos à esquerda, para a zona que pertence à Conduril, e que apresenta um aspecto limpo e cuidado.

JÁ A CAMINHO...









Descendo ao sabor dos ziguezagues da estrada, entre oliveiras, pinheiros e outras árvores, com o sol e o fresco da manhã, sentindo o cheiro intenso da natureza, cada um com o seu ritmo e embalados pelas conversas que alegremente nasciam no meio dos grupos que se foram formando, chegámos então à estrada alcatroada que segue da Póvoa da Isenta para a Ponte de Asseca.


ENTRE OLIVEIRAS, PINHEIROS, SOBREIROS E OUTRAS ÁRVORES, COM O SOL E O CHEIRO DA NATUREZA, A CAMINHO DA PONTE DE ASSECA














Depois foi seguir pelo já conhecido “caminho dos peregrinos”, virar à esquerda para o leito do rio Maior/Vala, passar por debaixo da Estrada Nacional 3 e continuar pela margem direita do rio, mas não pelo combro, que está cheio de silvas e ervas altas. Ainda assim, nalguns pontos, foi possível olhar o rio, que na zona da Ponte de Asseca apresentava água de cor bem negra, que vem da ETAR de Santarém e ali desagua. Água negra, espuma, mau cheiro, uma situação que se mantém, mesmo depois de, há tempos, a água das chuvas ter melhorado o aspecto da ribeira que vem da zona do Peso, onde vão parar as águas sujas, não tratadas, da ETAR, a cargo da Empresa de Águas de Santarém.


NA "PASSAGEM DOS PEREGRINOS" A CAMINHO DA MARGEM DO RIO MAIOR/VALA















Seguiu depois o grupo mais esses quilómetros entre a Ponte de Asseca e a Ponte do Vale, com os campos da lezíria à esquerda, agora já quase limpos de culturas, porém com muitos restos, que todos os anos se acumulam, de tubos de rega, vasilhas e sacos de plástico que são ali deixados, ou seja, poluição nítida, evitável.

NA MARGEM ESQUERDA DO RIO MAIOR/VALA ATÉ À PONTE DO VALE






Chegados à Ponte do Vale foi possível observar a ocupação ilegal que continua no combro e o mau cheiro, que advém do facto de ali mesmo, a coberto dos muros da ponte, ser o local para tudo: retrete, vazadouro e outras serventias poluidoras.

NA PONTE DO VALE...





Dali até ao fim da caminhada foi um instantinho. Encontrámos à direita a histórica Quinta de Santo António, atravessámos a passagem de nível, virámos para o lado da estação de caminho-de-ferro, depois continuámos até à Casa Catela e pela urbanização nova, onde foram feitas fotos de grupo. Fotos onde é evidente que tivemos um grupo com bebés, meninas e meninos, adolescentes, adultos e seniores, onde o género feminino foi ligeiramente maioritário.

DA PONTE DO VALE À URBANIZAÇÃO NOVA 













Depois de atravessarmos a estrada nacional dirigimo-nos para a estrada de macadame que nos levou até ao topo norte do Jardim público, onde terminou o nosso percurso. Era meio-dia e meia, mais ou menos. Entretanto, muitos foram-nos dizendo diversos participantes que é de repetir. Outros disseram-nos que haviam passado por sítios de que já tinham ouvido falar mas não faziam ideia de onde ficavam. Outros perguntavam … não podemos repetir para a semana? Conclusão: as pessoas disseram-nos que gostaram e que estão disponíveis para outras actividades ao ar livre, além de que, no caso concreto deste percurso, não gostaram de ver a poluição do rio Maior/Vala.

A COLABORAÇÃO DE DUAS ENFERMEIRAS AMIGAS

Terminada a caminhada foi o tempo de entrarem em acção as Enfermeiras Célia Oliveira (que também esteve na caminhada) e Andreia Gomes, que a organização havia convidado para, numa tenda montada para o efeito no Jardim Público, atenderem quem quisesse, para medição da tensão arterial, do índice de massa corporal e do nível de açúcar. Esta acção, logo após o esforço da caminhada, foi reconhecida e valorizada como importante e oportuna. Teve diversos interessados e, da parte da organização, é de saudar a disponibilidade das enfermeiras, a quem muito se agradece.




Após a caminhada foi o almoço, no qual participaram muitos dos caminheiros, mas também outros interessados. O almoço, preparado por uma equipa que ficou a trabalhar enquanto decorria a caminhada, foi no Jardim Público, com grande aderência, pelo preço de 5 euros/pessoa.








A finalizar: no geral, a caminha organizada pelo Grupo de Dadores Benévolos de Sangue e pelo Movimento Ecologista, ambos do Vale de Santarém, decorreu a contento dos participantes, sendo natural encarar-se que é acção a continuar, num espírito de participação activa, envolvendo a vontade dos Vale-Santarenos em seu próprio benefício, nos domínios da saúde, da defesa do ambiente e da convivência entre gerações, sem distinções de qualquer espécie. É esse o nosso caminho. Assim faremos.

Movimento Ecologista do Vale de Santarém

A Coordenação

Carlos Vieira – Francisco Nascimento Ferreira – Manuel João Sá. 

09/10/2014

NO VALE DE SANTARÉM, EM 25 DE OUTUBRO 2014 - CAMINHADA PELA VIDA + GINCANA DE BICICLETA

PELA SAÚDE, PELA ECOLOGIA. PELA VIDA. 

É com muito gosto que anunciamos nova realização no Vale de Santarém, desta vez numa organização conjunta do Grupo de Dadores Benévolos de Sangue e do Movimento Ecologista. De facto, partilhando objectivos comuns, de promoção e defesa da vida, tanto dos seres humanos como da natureza, as direcções das duas organizações encontraram-se para levar a cabo estas duas acções, nas quais se vão empenhar para que sejam bem-sucedidas, com benefício para os Vale-Santarenos.

Assim, a caminhada é uma actividade muito salutar, não só pelo que permite nos domínios físico e psicológico, mas também pelo que promove de contacto com a natureza, onde, infelizmente, nem tudo corre bem - veja-se a poluição que, há anos, ataca o rio Maior/Vala. Ora, esta caminhada, decorrendo em parte no cômoro da vala, leva os participantes ao histórico rio, um dos mais importantes afluentes do Tejo, onde lança águas poluídas por suinicultoras, fábrica de tomate e esgotos urbanos - ETAR de Santarém. É, assim, uma caminhada em defesa da vida: das pessoas e do próprio rio.

A gincana de bicicleta, actividade que há muitos anos não se realizava no Vale de Santarém, tem igualmente essa componente do exercício físico e, também, do desafio, da brincadeira, da partilha de habilidades, favorável no plano psicológico, do divertimento, para além da competição, que se deseja saudável.

As duas actividades vão ser acompanhadas pelo Grupo de Dadores Benévolos de Sangue para, no âmbito da sua acção, realizar acções ligadas com a saúde das pessoas e com a promoção da dádiva de sangue, envolvendo desde as crianças aos adultos e mais idosos.

Dado que a 1ª caminhada que o Movimento Ecologista realizou, no ano passado, teve mais de 40 participantes e, por outro lado, havia já muitos Vale-Santarenos a perguntar... "então, quando vamos caminhar outra vez?..." estamos a admitir que haverá muitos interessados. O mesmo pensamos em relação à gincana de bicicleta, uma novidade para muitos, sobretudo para os mais novos. Todos podem participar, das crianças aos mais velhos. É o que mais desejamos: tanto nós, Movimento Ecologista como o Grupo de Dadores de Sangue.

As inscrições para almoço - uma vez que pode haver participantes, na caminhada ou na gincana, que não queiram marcação para almoço - poderão ser feitas consoante o cartaz que divulgamos abaixo.

Resta referir que o Grupo de Dadores de Sangue e o Movimento Ecologista vão ter uma equipa conjunta a tratar de tudo, desde as inscrições, à própria realização das actividades e seu acompanhamento, bem como da confecção e serviço do almoço. Outra particularidade: a organização da gincana, nos seus aspectos técnicos, vai ter a intervenção do Paulo Monteiro e de outros colaboradores, o que muito se agradece desde já. A caminhada começa às 9 H00 e a gincana começa às 14 H 30, as duas junto ao Jardim Público do Vale de Santarém.

Esta realização, para a qual vai ser feito seguro,  conta com o apoio da Junta de Freguesia do Vale de Santarém. 

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém
Carlos Vieira - Francisco Nascimento Ferreira - Manuel João Sá.


11/07/2014

RIO MAIOR/VALA DE AZAMBUJA LIVRE DE POLUIÇÃO - VÍDEOS UM PASSEIO DE BTT, EM DEFESA DA DESPOLUIÇÃO DO RIO

Acabamos de publicar vídeos do Passeio de BTT e outras bicicletas, realizado no dia 25 de Abril de 2014, no âmbito das comemorações levadas a cabo pela Junta de Freguesia do Vale de Santarém, dos 40 anos do 25 Abril. 

A organização do passeio pertenceu ao Movimento Ecologista do Vale de Santarém, pois esta acção estava incluída no nosso plano de acção para o 1º semestre deste ano.



Os vídeos são apresentados no nosso canal no YouTube, em:

Para ver e comentar estes vídeos clique no link.


Faremos um video resumo sobre o passeio de BTT, composto por estes e alguns mais, que divulgaremos oportunamente.

Foi uma acção muito participada (mais de 40 ciclistas) tendo o percurso permitido a proximidade ao rio, onde, em alguns pontos, a cor da água e o mau cheiro deram bem a nota de como o rio Maior/vala de Azambuja está doente.


Temos em vista realizar, ainda este ano, outras acções de natureza, inseridas nos nossos objectivos de defesa do ambiente no Vale de Santarém, que serão anunciadas a seu tempo, para uma participação ampla dos cidadãos da nossa terra e outros, de todas as idades, 


como felizmente tem vindo a acontecer​
.
​Saudações fraternas




Movimento Ecologista do Vale de Santarém

A Coordenação

09/07/2014

PINHEIRO DAS AREIAS - ÁRVORE MONUMENTAL, NO VALE DE SANTARÉM - SAIU NOVA PORTARIA, PARA SUA PROTECÇÃO

Pinheiro das Areias - Árvore Monumental,
Classificada de Interesse Público em 1992
- Vale de Santarém - 
Muitos de nós, Vale-Santarenos, conhecemo-lo assim (foto à direita). Quando crianças, fomos até lá brincar, sob a sua enorme sombra, apanhar pinhões, tentar subir pelo seu enorme e largo tronco. Tentámos mesmo medi-lo, ligando-nos, pelas mãos, uns ao lado dos outros, para determinarmos quantos abraços nossos ele comportava. Debaixo dele, ou nas suas imediações, jogávamos à bola, de trapos, de borracha ou de "catchumbo", a qual, se tivéssemos a má sorte de mandar para os lados da porta da velha Mari da Serra, certo e sabido já não voltava, era esventrada por uma faca que a velha, barbuda e raivosa, coitada, já tinha preparada para tal. Pinheiro das Areias que, mais tarde, visitávamos já na adolescência, no tempo de namoro e depois recordávamos, nos tempos da emigração ou da guerra, na Índia ou em África, talvez para para a voltarmos a ver, um dia, depois do regresso...

Pinheiro das Areias (Vale de Santarém)
em 2013, já tendo sofrido mutilações
e sujeito a um processo de abandono, desleixo,
degradação e poluição envolvente.
Foram passando os anos, para nós e para o Pinheiro das Areias, talvez mais depressa do que pensávamos. Outros tempos e outras atitudes (ou falta delas) a que se foi somando o avançar da idade da monumental árvore, vieram mostrar que o perigo se aproximava dela. Hoje, como se vê na foto do ano passado (em cima) o Pinheiro das Areias está assim: mutilado, rodeado de outros pinheiros (não é mau ter companhia de outros pinheiros, talvez seus filhos, seus netos) porém o pior é que passou a ter muitas raízes à mostra – algumas têm vindo a ser cortadas, danificadas – não foi acompanhado, protegido, antes pelo contrário está sujeito ao abandono, o lixo e a poluição crescem à sua volta - foto abaixo. 
Uma das zonas onde as raízes do Pinheiro das Areias
estão à mostra, sujeitas a degradação e maus tratos.
No tempo em que brincávamos debaixo da sua copa, víamos que era uma árvore muito grande, só não sabíamos que era o pinheiro de maior perímetro de copa, pelo menos da Península Ibérica. Hoje sabemos - basta ir à net, em

http://www.icnf.pt/portal/florestas/aip/aip-monum-pt


que à data da sua classificação teria uma idade de 350 a 400 anos. Foi classificada de interesse público no Diário da República n.º 17, II Série de 21.05.92.


O Movimento Ecologista do Vale de Santarém assumiu desde a sua fundação a defesa e preservação do Pinheiro das Areias. Não só porque esta imponente e histórica árvore existe na nossa terra, mas também porque sendo ela a árvore que é, consiste num símbolo admirável, que congrega decerto sentimentos em defesa das árvores e da natureza em geral, ao mesmo tempo um símbolo e memória colectiva, um monumento da nossa terra. 

Satisfaz-nos, por isso, que tenha saído uma nova Portaria, com o nº 124/2014, de 24 de Junho, que regulamenta a Lei nº 53/2012. E o que diz a Portaria? Lê-se no jornal PÚBLICO, edição de hoje, 9 de Julho 2014, pg. 28., num artigo de Marta Lourenço, que reproduzimos aqui, com muito gosto.

ÁRVORES-MONUMENTO ESTÃO DE NOVO PROTEGIDAS

Património natural
Marta Lourenço
Há árvores consideradas monumentos-vivos pelas suas características peculiares. A lei que as protegia desde 1938 tinha sido revogada há mais de dois anos e, desde então, o arvoredo de interesse público estava desprotegido enquanto esperava regulamentação.
A nova lei, de Setembro 2012, foi agora regulamentada numa portaria, que entrará em vigor a 1 de Agosto. A portaria n.º 124/2014, de 24 de Junho (que regulamenta a Lei n.º 53/2012), determina os critérios e os procedimentos de classificação e de desclassificação das árvores. Como noticiou o PÚBLICO a 5 de Junho, as 472 árvores isoladas e os 82 arvoredos classificados até agora estavam expostos a vários perigos, como o abate ou os cortes inapropriados.
Após várias iniciativas para que a lei de 2012 fosse regulamentada, incluindo uma resolução da Assembleia da República, isso concretizou-se agora: as árvores já classificadas voltam a estar plenamente protegidas e as que justifiquem uma classificação podem concluir esse processo.
Em relação a novos pedidos, a portaria define o processo a seguir.
Ficaram claros não só os procedimentos e critérios de classificação mas também de desclassificação e as intervenções necessárias e possíveis.
“As intervenções urgentes devem limitar-se sempre ao estritamente necessário (...), devendo realizar-se com o menor sacrifício do arvoredo e das condições da sua zona geral de protecção.” O corte do tronco, de ramos ou raízes, bem como a remoção de terras ou escavações na zona protegida, são considerados contra-ordenações puníveis com coimas.
Consoante o grau de gravidade e o número de pessoas que praticam a infracção, as coimas podem ir dos 500 aos 500.000 euros.
Uma árvore pode ser classificada pelo porte, desenho, idade ou raridade.
A antiguidade é um dos parâmetros.
A portaria aplica-se aos “povoamentos florestais, bosques ou bosquetes, arboretos, alamedas e jardins de interesse botânico, histórico, paisagístico ou artístico”.
O eucalipto mais alto da Europa, com 72 metros, em Coimbra, a azinheira das aparições de Fátima e a oliveira de Pedras d’el Rei, com 2210 anos, perto de Tavira, estão agora mais longe de certos perigos.

Pelas mesmas razões, também estará mais longe de certos perigos o Pinheiro das Areias, dizemos nós


PORTANTO, JUNTA DE FREGUESIA DO VALE DE SANTARÉM, VALE-SANTARENOS… MAIS UM SUPORTE PARA A DEFESA INTRANSIGENTE DA PRESERVAÇÃO DESSA ÁRVORE HISTÓRICA: NOSSA, DA REGIÃO, DO PAÍS. DA NATUREZA TODA. 

11/06/2014

DESCIDA DO RIO MAIOR-VALA DE AZAMBUJA POR MEMBROS DO MOVIMENTO ECOLOGISTA DO VALE DE SANTARÉM

No âmbito das nossas actividades para o 1º semestre de 2014 constava a descida do rio, entre a ponte do Vale e a ponte de Santana (Cartaxo). Foi no dia 29 de Março que, com muito sol e bom tempo, lá fomos, para a descida. Com que objectivos? Ver o rio de dentro, navegar no seu leito num troço preciso, identificado, e observar o que nele se passa. E assim foi. Três membros do Movimento Ecologista do Vale de Santarém, de barco a remos -  o motor recusou-se a colaborar à última hora - cumpriram a tarefa, numa manhã cheia de sol, no silêncio do rio, aqui e ali quebrado pelo cantar dos rouxinóis, melros e outra passarada, enquanto alguns guarda-rios e galinholas se ficavam por breves aparecimentos e as cegonhas e abibes voavam alto, em redor. E o que vimos?

A situação de mau cheiro que encontrámos foi bem perto da ponte do Vale. Cheiro a dejectos humanos ou de porco. Ao longo de todo o percurso não encontrámos situação semelhante, mas sim uma grande diversidade de objectos de grande porte lançados ao rio, restando saber se lançados na zona onde se encontravam ou se teriam vindo na corrente. Exemplos: mobílias, pneus, frigoríficos, partes de automóveis (como para-choques) e roupas, além de enorme quantidade de objectos de plástico, de diversas dimensões, como garrafões, bidões e garrafas e também  materiais vindos das culturas próximas - plástico preto e tubos de rega.

Outra particularidade foi a grande quantidade de salgueiros em pleno leito do rio, alguns de grande porte já, dificultando a navegação. Muitos destes salgueiros são a extensão dos que, estando no cômoro, caíram ao rio, porque o seu caule está carcomido, no cômoro. É bem visível que há muitos anos não há limpeza no cômoro, daí que muitos salgueiros de grande porte, mais inclinados para o rio, provavelmente por acção das cheias, não aguentem e se precipitem nas águas, continuando aí a sua vida.


Outra coisa negativa que encontrámos foi uma mancha enorme de jacintos numa parte específica do percurso da vala, entre a ponte do Ferreira e a ponte de Santana, de tal modo que tivemos de retirar o barco e reiniciar a viagem mais a jusante.

Situação preocupante que encontrámos, do ponto de vista da segurança,  foi a da ponte do Ferreira que, num dos seus apoios, mostra desgaste, estando quebradas as pedras de apoio. Decerto precisará de ser analisada esta situação pelas autoridades competentes, de modo a decidir que fazer.

A finalizar, sendo a descida realizada numa altura do ano em que o caudal é maior e, assim, as águas estão menos poluídas, foi possível detectar peixe em movimento, o que já não acontecerá a partir de Junho e durante largos meses, devido ao menor caudal e maior concentração de materiais de poluição, com origem nas suinicultoras e fábricas que não cumprem as regras, assim como as ETAR, como a de Santarém, que tem sido vista como responsável pelas descargas para a ribeira que vem da zona da povoação do Peso: o peixe desaparece, rio abaixo, para não morrer.

Desta viagem fizemos um filme, cuja 1ª parte mostramos em

https://www.youtube.com/watch?v=R6E5NUJHIqI



As duas partes restantes são publicadas em breve.

Até ao fim do ano realizaremos outras acções relacionadas com o rio Maior-vala de Azambuja, de que daremos notícia, algumas das quais são dirigidas à população do Vale de Santarém e a quem quiser participar.

A Coordenação do Movimento Ecologista do Vale de Santarém

Carlos Vieira - Francisco Nascimento Ferreira - José Luís Ramos - Manuel João Sá.


Descida do rio Maior/vala de Azambuja, pelo Movimento Ecologista
do Vale de Santarém - 29 Março 2014.
Carlos Vieira e Mário de Oliveira, quando tentavam
pôr o motor a trabalhar... sem êxito.

Descida do rio Maior/vala de Azambuja, pelo Movimento Ecologista
do Vale de Santarém - 29 Março 2014. O rio/vala é em muitos quilómetros
um canal com muito boas condições para canoagem,
durante a maior parte do ano. Precisa é de ser limpo.

Descida do rio Maior/vala de Azambuja, pelo Movimento Ecologista
do Vale de Santarém - 29 Março 2014. Carlos Vieira e Mário de Oliveira,
em Santana (Cartaxo) no fim da descida do rio Maior/vala de Azambuja.